Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A proposta de instalação da CPI dos Empréstimos, que busca investigar o destino de R$ 1,75 bilhão em financiamentos já contratados pela Prefeitura de Manaus, teve uma reviravolta nesta semana. O vereador Rodrigo Guedes (PP), autor original do requerimento, abriu mão da autoria para que o vereador Coronel Rosses (PL) assumisse oficialmente a liderança do pedido.
Atualmente, o pedido da CPI conta com 10 assinaturas. Para que a comissão seja instaurada na Câmara Municipal de Manaus (CMM) são necessárias ao menos 14 adesões.
A iniciativa de abrir mão da autoria foi confirmada por Guedes em contato com o Portal RIOS DE NOTÍCIAS. Segundo ele, havia uma resistência nos bastidores da Casa por conta da CPI estar associada diretamente ao seu nome. “Abdiquei pra pararem com essa desculpa”, afirmou o parlamentar, ao destacar que o foco da investigação precisa estar acima de disputas individuais.
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A decisão acontece em meio a um momento de tensão política na CMM, marcado por confrontos entre Guedes e o vereador Aldenor Lima (União). A briga entre os parlamentares gerou acusações de crimes, trocas de farpas em plenário e até coletivas em frente à sede da Polícia Federal, na terça-feira, 8/4.
A polêmica também teve impacto direto na composição da CPI. O vereador Saimon Bessa (União) retirou sua assinatura do requerimento, alegando que o debate “tem se desvirtuado do seu propósito original e se transformado em palco para disputas pessoais, vaidades e embates políticos”. Segundo ele, “quando uma CPI se transforma em espetáculo, o Legislativo perde sua essência. E, mais uma vez, quem perde é a população”.
Apesar das turbulências, Coronel Rosses agora assume a articulação política para reunir as assinaturas necessárias e dar andamento à proposta. Em pronunciamento público, ele agradeceu o gesto de Rodrigo Guedes e destacou que a CPI “não pertence a nenhum grupo político, é uma demanda da população de Manaus”.
Entenda o caso
A proposta de CPI foi protocolada originalmente em março por Rodrigo Guedes, com o objetivo de fiscalizar a aplicação de recursos oriundos de empréstimos contratados pela Prefeitura de Manaus, especialmente no âmbito do Programa de Melhoria da Infraestrutura Urbana (Prominf). O programa previa a construção de viadutos, parques e praças, mas os parlamentares alegam falta de transparência na execução das obras.
A iniciativa ganhou novo fôlego após a Câmara aprovar, na última semana, mais R$ 2,6 bilhões em operações de crédito solicitadas pela gestão do prefeito David Almeida (Avante), elevando o montante total de empréstimos contratados desde 2021 para R$ 4,3 bilhões.






