Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O coronel da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Marcos Vinicius Poinho da Encarnação, tornou-se réu em um processo criminal que apura as agressões cometidas contra sua ex-esposa, Iolanda Martins.
A denúncia do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) foi aceita pela Justiça no dia 23 de setembro deste ano, após a apresentação de vídeos e laudos médicos que comprovam a violência.
Imagens de câmeras de vigilância passaram a circular nas redes sociais nesta segunda-feira, 17, e mostram o coronel agredindo a vítima em um posto de combustíveis no Parque das Laranjeiras, em Manaus.
As gravações foram registradas por volta das 5h30 da manhã do dia 4 de junho e revelam o militar desferindo socos contra Iolanda até que ela desmaie, momento em que é socorrida por pessoas que estavam no local.
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Segundo o Ministério Público, houve duas agressões no mesmo dia. A primeira ocorreu de madrugada, quando a vítima foi jogada ao chão e perdeu a consciência. Horas depois, pela manhã, ela voltou a ser atacada, recebendo chutes na cabeça e no corpo.
As imagens também revelam outro elemento grave: isso porque às 10h09 do mesmo dia, ao menos três policiais militares em serviço apareceram no posto, conversando com o coronel.
Em seguida, um deles imobiliza Iolanda no chão, enquanto outro agente observa a cena. O vídeo mostra os três conversando com Marcos Vinicius enquanto a vítima está sentada no chão, chorando.
“Os vídeos confirmam a denúncia feita pela vítima e ainda revelam um elemento que não havia sido divulgado: policiais militares que atenderam a ocorrência também aparecem participando das agressões”, afirmou o advogado de Iolanda, Alexandre Torres Jr, em coletiva de imprensa.
Com base nas provas, o MP denunciou o coronel por duas lesões corporais no contexto da Lei Maria da Penha e solicitou a manutenção das medidas protetivas já concedidas à vítima. O juiz Rafael da Rocha Lima determinou que o militar seja citado e apresente defesa em até 10 dias, sob pena de nomeação de um defensor público.
O caso ganhou repercussão em junho, quando Iolanda usou as redes sociais para relatar que sofria agressões do companheiro há mais de dez anos. “Fui agredida pelo meu esposo, aquele que deveria cuidar e zelar por mim, me arruinou! Isso acontece desde 2012, e eu mascarava tudo pela minha família”, publicou à época.

Após a denúncia, a Polícia Militar afastou o coronel da diretoria administrativa, recolheu seu armamento funcional e instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar sua conduta. A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) Centro-Sul, também abriu investigação.
Procurado anteriormente pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o coronel afirmou que “tudo será esclarecido em momento oportuno”. Até a última atualização desta matéria, ele ainda não havia se manifestado publicamente sobre o andamento do processo.












