Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Pouco conhecida fora dos livros de história, a Batalha de Itacoatiara, ocorrida no Rio Amazonas em 1932, levou os reflexos de uma guerra civil brasileira para a região Norte.
O confronto está diretamente ligado à Revolução Constitucionalista, movimento armado iniciado em São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas.
Após assumir o poder em 1930, Vargas prometeu eleições diretas e a promulgação de uma nova Constituição, mas essas medidas não foram cumpridas nos anos seguintes.
A frustração com a permanência do governo sem bases constitucionais e a nomeação de interventores federais nos estados acirrou as tensões políticas, especialmente em São Paulo, que liderou a revolta armada em julho de 1932.

O escritor e jornalista Emerson Medina, autor da história em quadrinhos A Batalha de Itacoatiara, explicou que a origem do conflito está nesse contexto nacional. “A batalha foi resultado da Revolução de 1932, que começou em São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, que havia prometido eleições diretas e a promulgação de uma nova Constituição”, disse Medina.
Medina destacou que o rompimento com a chamada política do “café com leite”, que alternava o poder entre Minas Gerais e São Paulo, e a imposição de interventores federais nos estados. “Depois do golpe, o gaúcho Getúlio Vargas começa a nomear interventores para os estados e não faz a Constituição. Para São Paulo é indicado um interventor do Nordeste, o que aumenta a revolta”, afirmou.
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O movimento, no entanto, não ficou restrito ao Sudeste. Em agosto daquele ano, levantes também ocorreram no Norte do país. “Em agosto acontece no Norte a mesma coisa, tem o levante no Amazonas e no Pará. Vai ter sucesso em Óbidos, e de Óbidos eles rumam para Manaus, para tentar tomar Manaus”, relatou Emerson Medina.
Durante o avanço pelo Rio Amazonas, os revoltosos chegaram a ocupar Parintins. A resistência, porém, se consolidou quando as forças legalistas se organizaram em Itacoatiara. “Tomam Parintins, mas ao chegarem a Itacoatiara encontram resistência. O governo de Getúlio Vargas consegue organizar a defesa, e ocorre a batalha que descrevemos na história”, explicou o escritor.

O confronto naval em Itacoatiara, ocorrido em 24 de agosto de 1932, marcou a tentativa frustrada de expansão da Revolução Constitucionalista na região amazônica. O combate resultou na morte de aproximadamente 60 pessoas, entre combatentes de ambos os lados e civis a bordo das embarcações rebeldes.
‘Batalha de Itacoatiara’
Décadas depois, o episódio voltou a ganhar destaque por meio da cultura e da pesquisa histórica, ajudando a preservar a memória de um dos capítulos menos conhecidos da Revolução de 1932 e do próprio Rio Amazonas como cenário de conflitos armados.
A história em quadrinhos “A Batalha de Itacoatiara” revive o confronto naval e revela que a Amazônia também foi palco de um dos momentos mais marcantes da formação política do Brasil, em um tributo à memória regional.



Além do roteiro de Emerson Medina e da arte de Romahs, a obra conta com arte-final de Tieê Santos, revisão de Beatriz Mascarenhas, edição de Thais Mannala e prefácio do jornalista e pesquisador Gonçalo Junior.
O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, e promovido por edital da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC).






