Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O segundo turno das eleições de 2026 terá uma “disputa cruzada” entre as eleições para presidente da República e governador no Amazonas.
Para o analista político da Rede Rios de Comunicação, Diogo da Luz, a diferença registrada na votação presidencial no Estado mostra um cenário mais apertado do que o observado em 2022.
No primeiro turno deste ano, Lula (PT) terminou com 48,23% dos votos válidos no Amazonas, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) teve 45%. A diferença foi de 3,23 pontos percentuais.
Na avaliação de Diogo, o resultado demonstra uma mudança clara no comportamento do eleitor amazonense em relação à eleição anterior.
“Eleições bastante acirradas do Amazonas para presidente. Bem mais que vezes anteriores. Na última eleição, em 2022, a diferença de Lula para Jair Bolsonaro foi de quase sete pontos percentuais. Agora, de 48 para 45, são três pontos de diferença. É bem menor, é menos da metade do que foi a diferença da outra vez em favor de Lula”
Diogo da Luz, analista político
O analista também avalia que o desempenho de Flávio Bolsonaro no Amazonas pode alterar a dinâmica da disputa no segundo turno. “Mostra que há uma tendência de mudança, que Flávio acaba conseguindo mais atratividade do que até seu pai Jair, ou que Lula vem perdendo combustível e ficando cada vez mais fraco nas campanhas eleitorais”.
Omar e Maria na disputa
A eleição para o Governo do Amazonas também apresenta um cenário parecido ao nacional. Omar Aziz (PSD), apoiado por Lula, terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 40,63%, já Professora Maria do Carmo (PL), apoiada por Flávio, teve 24,49%. Os dois disputam o segundo turno marcado para 25 de outubro.
Para Diogo da Luz, a principal questão será entender como os eleitores vão combinar as escolhas para presidente e governador.
“Omar Aziz e a professora Maria do Carmo disputando o governo do Estado. Muitos dizem a velha política e a nova política. E também isso compara-se muito logicamente com Lula e Flávio. Como vão seguir os eleitores nesse caso?”
Segundo o analista, a aproximação entre Maria do Carmo e Flávio Bolsonaro pode ser um dos movimentos políticos mais importantes da segunda etapa da eleição. “Me parece mais do que evidente que a alternativa que Maria do Carmo tem é abraçar firmemente a campanha de Flávio e Flávio abraçar a sua. Ambos juntos terão mais força”.
Por outro lado, Diogo afirma que Omar Aziz deverá administrar com mais cuidado a relação com Lula, já que os dois estão politicamente associados.
“Omar Aziz terá um problema talvez um pouco diferente. Embora Lula tenha um pouco mais de votos, abraçar o presidente vai trazer mais votos porque já se sabe da união entre eles. Qualquer escorregão de um pode contaminar o outro”.
Ainda segundo o analista, essa relação poderá influenciar diretamente a estratégia de campanha dos dois grupos. “Será possivelmente uma campanha onde Omar terá que falar menos do candidato a presidente e a professora Maria do Carmo mais e vice-versa”.
Diogo também coloca Lula na mesma decisão estratégica: manter a associação com Omar Aziz ou tentar ampliar o diálogo com outros eleitores.
“Lula vai se agarrar a Omar Aziz ou também não vai querer abraçá-lo muito, tentando buscar alguns votos um pouco mais indecisos que estejam indo para Maria do Carmo e até possivelmente daí para Flávio e puxar para si”, finalizou.






