Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com a virada do ano, muita gente renova as esperanças, inclusive de colocar a vida financeira em ordem. Mas os impostos, material escolar e dívidas acumuladas do fim do ano fazem de janeiro um dos meses mais exigentes para o bolso.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o consultor financeiro Alon Hans explica que o equilíbrio financeiro não começa com cortes radicais, mas com algo bem mais simples: entender a própria realidade.
Segundo ele, o primeiro passo é fazer um diagnóstico financeiro completo. “É preciso saber exatamente quanto entra e quanto sai. Anotar salários, gastos fixos, despesas variáveis e dívidas. Sem clareza, qualquer tentativa de organização vira frustração”, afirma.
Muita gente acredita que só está “no azul” quem não tem dívidas, mas Alon faz um alerta importante. Estar no azul significa conseguir pagar as contas do mês sem precisar se endividar mais. “Se a pessoa honra seus compromissos e mantém o controle, mesmo pagando dívidas antigas, ela já está no caminho certo”, explica.
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O que não fazer
Um dos erros mais comuns no início do ano, segundo o consultor, é contar com reajustes salariais como se fossem sobra de dinheiro. “Esse aumento quase nunca sobra. Ele é engolido pela inflação, pelas contas que aumentam e por despesas típicas de janeiro”, diz.
IPVA, IPTU, matrícula escolar e parcelas acumuladas do fim do ano costumam apertar ainda mais o orçamento. Por isso, Alon reforça que janeiro seja um mês estratégico tanto para cortar gastos quanto para renegociar dívidas.
“Quem só corta despesas resolve o problema por pouco tempo. Quem só renegocia dívidas continua gastando mal. O ideal é fazer as duas coisas juntas”, explica.
Dívidas, cartão e reserva
Quando o assunto é dívida, a prioridade deve ser clara. Alon recomenda focar primeiro naquelas com juros altos, como cartão de crédito e cheque especial. “Essas dívidas crescem rápido e viram uma bola de neve”, alerta.
Mesmo assim, ele reforça a importância de começar, ainda que aos poucos, uma reserva de emergência. “Não precisa ser muito. Tem gente que guarda R$ 100, 300, mas um valor pequeno já evita que qualquer imprevisto vire uma nova dívida”, explica.
Sobre o cartão de crédito, o consultor desmistifica a ideia de vilão absoluto que muita gente acredita. “O problema não é o cartão, é o uso sem controle. Para quem sabe quanto ganha e quanto pode gastar, ele pode ser um aliado. Para quem não sabe, vira armadilha”, sintetiza.
Pequenos hábitos
A principal dica é a simplicidade e eficiência: anotar todos os gastos. Até o cafezinho. “Quando a pessoa enxerga para onde o dinheiro dela está indo, ela começa a gastar melhor quase sem perceber, é gradual esse entendimento”, afirma Alon.
E para quem acha impossível economizar com salário baixo, o consultor é direto: dá, sim. “O mais importante não é o valor, é o hábito. Guardar R$ 20 ou R$ 30 por mês já cria disciplina. Com o tempo, isso cresce e traz segurança para pessoa”, finaliza.






