Júnior Almeida – Rios de Notícias
FONTE BOA (AM) – O fechamento do principal porto do município de Fonte Boa, a 680 quilômetros de Manaus, tem causado transtornos à população que depende da área portuária. A situação começou após o início das reformas realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Sem a estrutura oficial, embarcações e passageiros passaram a utilizar um porto particular e improvisado, localizado no bairro Baré. O local não oferece condições adequadas e, como mostra um vídeo divulgado nas redes sociais, a via de acesso ficou tomada pela lama após as chuvas na região.
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“Olha a situação do porto improvisado de Fonte Boa. Como tá feio para chegar até o porto aí, ó, para deixar encomenda e para quem vai viajar. Graças a Deus eu não estou viajando, porque teria que enfrentar essa lama”, relatou uma moradora.
O assunto foi destaque no Jornal da Rios, da Rádio Rios 95,7, nesta segunda-feira, 18/8. No quadro Fala Rios, o jornalista Keynes Breves criticou a condução das obras e a falta de planejamento para a área portuária do município.
“Estamos bem preocupados porque é período de chuva no Alto Solimões e Fonte Boa é um município polo daquela região. Mas a morosidade do poder público e a falta de vontade de resolver de verdade essa situação têm causado transtorno à população e dor de cabeça a muita gente”, afirmou.
O prefeito Lázaro Araújo de Almeida (Republicanos) chegou a anunciar, ao lado do secretário da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) do Governo do Amazonas, Marcelos Campelo, a abertura de uma estrada que daria acesso ao porto alternativo.
No entanto, segundo o jornalista Keynes Breves, o vídeo da reunião mostrou desencontro de informações.
“O prefeito fala em obra para acesso ao porto, mas o secretário responde sobre outro assunto, ligado a um convênio habitacional do qual ele estava tratando no município. Ou seja, não há definição sobre a estrada e, enquanto isso, o improviso segue prejudicando a população de Fonte Boa”, destacou o jornalista da Rede Rios.
Para Breves, a situação atual não representa apenas incômodo, mas risco para quem precisa utilizar o transporte fluvial no município. “Imagine uma senhora com dificuldade de locomoção, um PCD ou até uma ambulância precisando acessar esse local. É uma vergonha manter a cidade nessa condição”, completou.
Sem respostas do Dnit
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou o Dnit para saber como andam os reparos na infraestrutura do porto e se existe algum plano de contingência ou medida paliativa oficial para atender a população durante o período de interdição. O órgão não respondeu até a publicação desta matéria.
Prefeito se posiciona
A reportagem também entrou em contato com o prefeito de Fonte Boa para esclarecer se há algum contrato com o empresário responsável pelo porto particular e para comentar a situação relatada pelos moradores.
Em resposta, o gestor disse que não há recursos públicos aplicados no porto particular e que a Prefeitura está tomando medidas para abrir uma estrada de acesso a uma nova área, onde deve ser construído um porto, em articulação com o Governo do Estado e o Dnit.
Sem dar prazos concretos, ele cita que “no máximo em duas semanas, o município de Fonte Boa já possa estar contando com um porto provisório.”
Leia na íntegra a declaração do prefeito:
“O Dnit iniciou a reforma do porto principal sem aviso prévio, e só soubemos da desmontagem dias antes. Imediatamente buscamos a superintendência em Manaus para adiar a retirada até que fosse possível viabilizar um porto provisório.
A Prefeitura já está abrindo uma estrada para dar acesso a um novo ponto de embarque, mas o processo exige tempo e recursos. O Dnit está com estudos em andamento e a expectativa é que, em até duas semanas, tenhamos um porto provisório em funcionamento.
Além disso, estamos planejando um novo porto em área mais alta do município, em parceria com o Governo do Amazonas, para superar os problemas de acesso durante a seca, quando o porto atual fica inutilizado.”
Lázaro Araújo de Almeida, prefeito de Fonte Boa






