Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma combinação de fatores, incluindo a influência do El Niño e o fenômeno do repiquete, contribuem para a crise hídrica que atinge o Amazonas. Conforme o monitoramento feito pelo Porto de Manaus, nesta segunda-feira, 27/11, o Rio Negro atingiu a cota de 14,09 metros, abaixo dos níveis registrados nos últimos anos.
Em comparação com anos anteriores, a cota atual do Rio Negro se encontra cerca de quatro metros abaixo da média, mesmo apresentando elevações nos últimos dias.
Em 2020, no mesmo período, o nível do Rio Negro estava mais cheio, marcando 17,34 metros. No ano subsequente, em 2021, a cota elevou-se para 20,70 metros. E em 2022, o nível do rio era de 18,38 metros.
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O El Niño contribuiu para alterações climáticas extremas, impactando diretamente o regime de chuvas na região amazônica. Além disso, o fenômeno do repiquete, fez com que o rio, que inicialmente havia subido, sofresse uma queda em seu nível, atrasando ainda mais o processo de recuperação.
A seca que atingiu a região acendeu o alerta de especialistas. De acordo com o pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Lucas Ferrante, o recorde de seca do nível do rio registrado este ano é um reflexo das mudanças climáticas e está perto do que chamou de “ponto de não retorno“.
“A seca extrema que nós observamos na Amazônia nesse momento é fruto de várias ações sinérgicas como um super El Niño, as mudanças climáticas antropogênicas e também o avanço do desmatamento no bioma. A Amazônia passa por um processo de transformação de savanização e está próxima do seu ponto chamado tipping point, esse ponto de não retorno onde basicamente os serviços ecossistêmicos colapsam e a floresta fica irrecuperável”
Lucas Ferrante, pesquisador
Impactos
O pesquisador ressalta que esses reflexos são um alerta para os desafios iminentes, como a escassez de água, impactos na biodiversidade e ameaças às comunidades ribeirinhas que podem se tornar piores. Ferrante explica que até 2100, a Amazonas vai perder 30% de sua umidade.
“Nós temos projeções de acordo com o painel governamental de mudanças climáticas que a temperatura na Amazônia ela tende a aumentar até mais quatro graus, além de uma perda de mais de trinta por cento da umidade que nós observamos no bioma e nas chuvas que nós observamos no bioma até 2100”
Lucas Ferrante, pesquisador
De acordo com o especialista, é necessário ações urgentes para minimizar os impactos das mudanças climáticas. Essas ações podem evitar que as previsões se tornem a cada ano mais reais.
“É extremamente necessário que o Brasil adote politicas públicas eficientes no combate do desmatamento e na mitigação das mudanças climáticas pra que nós diminuamos o impacto dessas mudanças climáticas antropogênicas sobre a Amazônia”, ressalta Ferrante.
Há algumas medidas que podem minimizar os efeitos da seca na região. Para o pesquisador é preciso uma politica de desmatamento zero e a redução de derivados do petróleo.
“Algumas medidas que tem o impacto real nessas mudanças climáticas, é a redução do desmatamento incluindo uma política de desmatamento zero. Isso é extremamente necessário para a Amazônia nesse momento. Além disso, outra medida é de também diminuir o consumo e exploração de derivados do petróleo”, disse Lucas.






