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Quando o medo nos torna reféns: como proteger a mente em tempos de guerra (externa e interna)

Você está sentindo mais cansaço? Dormindo mal? Com o pensamento acelerado, uma sensação de alerta constante… e sem entender bem o porquê? Você não está sozinho.

Nas últimas semanas, até quem vive distante das zonas de conflito tem sentido o coração apertar. O mundo está tremendo — e a mente, tentando segurar tudo ao mesmo tempo, começa a falhar.

Mas o que está acontecendo não é só físico, nem só emocional. É um colapso silencioso entre o que vemos, o que sentimos… e o que ainda não aprendemos a nomear.

Guerra. Inflação. Violência. Desinformação. Redes sociais que alimentam medo o tempo todo. A mente humana não foi feita para absorver esse volume de catástrofes por dia.

E quando o cérebro entra em estado de sobrevivência por tempo demais, ele começa a produzir sintomas que parecem “problemas seus” — mas, na verdade, são respostas naturais a um mundo adoecido.

Dores no corpo. Confusão mental. Insônia. Irritabilidade. Apatia. Choro sem explicação. Tudo isso pode ser uma forma do seu corpo dizer: “eu não aguento mais viver no modo alerta”.

Tensão muscular, insônia, dores de cabeça, cansaço crônico. Pensamentos em loop, sensação de perigo iminente, dificuldade de concentração. Irritabilidade, tristeza profunda, sensação de vazio ou desespero. Isolamento, procrastinação, hipervigilância, uso excessivo de redes.

Isso não significa que você está fraco. Significa que você está funcionando de forma adaptativa a um ambiente altamente estressante.

A alma não quer ser corrigida, ela quer ser reconhecida

A psicologia positiva nos ensina que o ser humano não quer apenas se livrar do sofrimento. Ele quer florescer. Quer sentido. Quer afeto. Quer um propósito que o levante pela manhã — mesmo em dias difíceis.

E quando falamos em espiritualidade, não estamos falando de religião. Estamos falando da experiência íntima de reencontro com aquilo que nos conecta à vida.

Como começar a sair do estado de alerta?

  • Crie rituais simples – O cérebro ama repetição. Um café em silêncio, um banho consciente, uma música que te acalma. Pequenas rotinas curam.
  • Pratique respiração terapêutica – 4 segundos inspirando, 4 segundos retendo, 4 segundos soltando. Faça por 3 minutos e sinta o sistema nervoso “voltar pro corpo”.
  • Reduza o consumo de notícias – Escolha dois horários no dia para se informar. Fora disso, viva.
  • Escreva, ore, silencie – Sua alma precisa de pausa. E nem todo entendimento vem pela mente. Muitos vêm pelo silêncio.
  • Busque vínculos reais – Conversar com alguém que escuta de verdade é um ato de cura. Mesmo que seja só por 20 minutos.

O que você sente não é frescura. É excesso de ausência emocional.

E se tem algo que aprendi em anos de escuta clínica, é isso: quanto mais a pessoa sente, mais ela tenta esconder. Mas a sensibilidade que você carrega não é um defeito. É o que pode te salvar — e ajudar a salvar outros também.

Sinta. Com coragem. Com presença. Com humildade.

Você não precisa estar forte o tempo todo. Você precisa estar vivo, de verdade.

A verdadeira proteção não está em blindar emoções. Está em aprender a criar um ambiente interno seguro o suficiente para atravessar as tempestades externas.

Se esse texto chegou até você, talvez ele seja seu lembrete de que ainda existe esperança. De que a guerra pode estar acontecendo, sim — mas há paz possível entre um pensamento e outro. Entre um medo e outro. Entre um “não aguento mais” e um “eu vou buscar ajuda”.

Acolha-se. Você não está sozinho. E sua mente, mesmo cansada, ainda é um território fértil. Basta regar com presença, afeto e fé.

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