Setembro chegou, e com ele vem a campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio e à valorização da vida. É um mês para lembrar que cada pessoa carrega uma história que merece ser vivida — mesmo quando o caminho parece difícil.
Mas também é o momento de falar sobre as dores. Todos, em algum momento, enfrentam períodos de sofrimento, perda ou desesperança. Às vezes, a vida parece pesada demais. E justamente nesses momentos, é fundamental lembrar que existe algo que pode fazer a diferença: a força diante do caos.
A história de Viktor Frankl: sentido mesmo na dor
O médico e psicólogo austríaco Viktor Frankl, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, tornou-se uma das principais vozes sobre resiliência e sentido da vida. Em meio ao sofrimento extremo, ele descobriu que, embora não possamos controlar tudo o que nos acontece, temos a liberdade de escolher como responder.
Frankl dizia: “Quem tem um porquê enfrenta qualquer como”. Sua vivência deu origem à logoterapia, uma abordagem terapêutica centrada na busca de sentido — algo que segue atual e inspirador, especialmente em tempos difíceis.
Aceitar para seguir
Esse pensamento dialoga com a chamada teoria da aceitação, que nos convida a reconhecer que a dor faz parte da vida, sem deixar que ela nos defina. Sentir medo, tristeza ou insegurança é natural. O desafio está em não se aprisionar nesses sentimentos e lembrar: é possível seguir em frente, mesmo com feridas abertas.
Práticas que ajudam
A ciência mostra que há maneiras simples, mas eficazes, de cuidar da saúde mental no dia a dia:
- Yoga: ajuda a liberar tensões físicas e mentais, promovendo bem-estar por meio da respiração e do movimento consciente.
- Mindfulness (atenção plena): ensina a viver o momento presente, combatendo o excesso de preocupação com o passado ou o futuro.
- Atividade física: caminhar, correr, dançar ou se movimentar libera substâncias como a endorfina e a serotonina — neurotransmissores que favorecem o bom humor e a sensação de equilíbrio.
Mesmo quando parece difícil começar, o primeiro passo, por menor que seja, já é um avanço.
Um mês, quatro semanas de cuidado
Neste Setembro Amarelo, a proposta é dividir o mês em quatro semanas de autocuidado, com pequenas práticas para fortalecer o corpo e a mente:
- Semana 1 – Respire: aprenda a respirar devagar — inspire contando até quatro, expire contando até seis. Experimente posturas simples de relaxamento, como deitar com as pernas apoiadas na parede ou adotar a postura da criança (balasana).
- Semana 2 – Esteja presente: pratique atenção plena ao comer, ao caminhar, ao escutar. Note as texturas, os cheiros, os sons — traga sua mente de volta ao agora.
- Semana 3 – Mexa-se: movimente o corpo. Caminhe, dance, alongue-se, brinque. O movimento é uma mensagem de vida.
- Semana 4 – Descanse: cuide do sono. Desligue telas antes de dormir, faça um ritual leve de relaxamento e permita que o corpo se recupere.
Quando pedir ajuda é necessário
É importante lembrar: essas práticas não substituem o apoio profissional. Se a dor estiver muito intensa, não hesite em buscar ajuda. O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo número 188, disponível 24 horas por dia. Profissionais da saúde mental também estão preparados para acolher e orientar.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. E pode ser o passo que salva uma vida — a sua ou a de alguém que você ama.
Mesmo no caos, é possível encontrar sentido
Neste mês da vida, a mensagem principal é clara: a sua vida importa. Mesmo quando tudo parece escuro, há um ponto de luz que pode nascer dentro de você. Como ensinou Viktor Frankl, é possível encontrar significado até nas maiores dores.
Valorize sua história. Cultive o que te fortalece. E, se precisar, peça ajuda. Você não está sozinho.