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Adultos infantilizados? Histórias de afeto, perdas e reparação emocional por trás do cuidado com bebês reborn

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O olhar apressado da sociedade muitas vezes julga sem escutar, sem perceber o que está por trás de ações e comportamentos silenciosos. Mais do que uma fuga da realidade, o fenômeno dos adultos que cuidam de bonecas hiper-realistas revela dores invisíveis, rituais de acolhimento e a busca legítima por pertencimento e afeto.

Se observarmos rapidamente, pode soar estranho, até mesmo perturbador: adultos, muitas vezes mulheres, dedicando tempo, dinheiro e afetividade a bonecas que simulam com perfeição um bebê real. Alimentam, vestem, embalam, tiram fotos.

À primeira vista, o senso comum dispara seus julgamentos imediatos e algumas vezes agressivos: “Isso é infantilização!”, “Essas pessoas estão negando a realidade!”, ou ainda “É carência disfarçada de brincadeira!”.

Mas será mesmo tão simples assim?

Em áreas de estudos de psicologia, chamamos isso de mecanismos compensatórios ou de reparação emocional. O que no senso comum alguns taxariam de “imaturidade” pode, na verdade, ser um recurso de enfrentamento frente a dores ou gatilhos que não encontraram espaço para serem acolhidas.

O cuidado com um bebê reborn, quando visto em profundidade, pode funcionar como um ritual terapêutico de resgate, acolhimento e até mesmo reorganização interna.

Estudos recentes em psicologia do comportamento e neurociência afetiva indicam que práticas de cuidado simbólico, como o contato com bonecas reborn, ativam áreas do cérebro ligadas à empatia, à regulação emocional e ao apego seguro.

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Durham, no Reino Unido, observou que adultos que utilizam bebês reborn como suporte emocional relataram redução significativa de sintomas de ansiedade, estresse crônico e solidão, especialmente em contextos de luto não elaborado ou traumas complexos.

Esses dados reforçam que, longe de ser uma mera fantasia infantilizada, o uso consciente, sem distorção da realidade consciente dessas bonecas pode funcionar como um importante dispositivo terapêutico complementar, especialmente em populações vulneráveis emocionalmente.

Alguns hospitais, inclusive, já utilizam o reborn em protocolos de cuidado paliativo, e suporte a saúde mental de perdas gestacionais, reforçando sua potência simbólica e afetiva.

O medo do julgamento bloqueia o afeto

O que mais ouvimos nas clínicas é o medo da crítica externa do que o outro vai pensar, de ser ridicularizado ou qualquer dispositivo que levem a prática de Bullying. Mas é preciso entender que, enquanto sociedade, estamos presos a uma normatividade emocional tóxica, que define quem pode ou não sofrer, e como esse sofrimento deve se manifestar.

O reborn, nesse contexto, não é um brinquedo. É uma extensão do emocional que transborda de formas que, muitas vezes, a linguagem verbal não alcança. Aquele bebê de silicone ou vinil representa um colo interno, uma tentativa legítima de reparação, uma busca por nutrir o que foi interrompido ou nunca teve espaço.

É claro que, como qualquer comportamento, há limites e nuances. Quando o uso da boneca impede a pessoa de interações reais ou passa a ser a única fonte de prazer e segurança, sinaliza que há algo mais profundo que precisa de atenção profissional, é nesse momento que se torna psicopatológico e o indivíduo passa a não ter consciência da ação distorcida que passamos a ter responsabilidades sociais.

Mas esse não é o caso da maioria. Estamos falando de adultos conscientes de suas dores, que encontraram no reborn uma forma de acalentar feridas invisíveis, sem fazer mal a ninguém.

A importância de humanizar o olhar

Adultos que brincam de cuidar? Sim, e isso pode ser bonito, saudável e profundamente reparador. O que realmente adoece é a solidão, o preconceito, a falta de escuta, a invalidação das emoções.

Precisamos olhar com mais empatia, escutar mais histórias antes de emitir diagnósticos sociais que apenas reforçam estigmas e afastam ainda mais pessoas que, no fundo, só estão tentando sobreviver em um mundo que pouco acolhe suas feridas.

Porque, no fim, todos nós temos nossos reborns internos. Alguns carregam nas bonecas. Outros nos livros, nas plantas, nas tatuagens, na música. O importante é reconhecermos nossas formas legítimas de sobreviver à dor e construir afeto.

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