Nicolly Teixeira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os diagnósticos de câncer em adultos de até 50 anos cresceram 284% no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2013 e 2024, segundo dados do painel DataSUS. Tumores de mama, colorretal e de fígado estão entre os que mais avançam nessa faixa etária.
De acordo com o órgão, os casos registrados em 2013 somavam 45,5 mil, número que saltou para 174,9 mil em 2024, um aumento preocupante em apenas 11 anos. Entre os tipos de tumor, o câncer de mama lidera os diagnósticos, registrando alta de 45%, com mais de 22 mil casos anuais em mulheres de até 50 anos.
Estilo de vida é o principal fator
Para o diretor-presidente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Gerson Mourão, o crescimento está diretamente ligado ao estilo de vida de muitos brasileiros, marcado pelo aumento da obesidade e do sedentarismo.
“Esses fatores são primordiais e têm contribuído para o aumento do câncer entre os mais jovens. No Brasil, o número de obesos dobrou nos últimos anos, e o sedentarismo também influencia diretamente nesse cenário”, explicou Mourão ao portal Rios de Notícias.

O especialista destacou ainda que a substituição de alimentos naturais por produtos industrializados e mais baratos aumenta as chances de desenvolver a doença.
“Quanto mais nos afastamos do natural e nos aproximamos dos artificiais, maior a probabilidade de desenvolver câncer. É um fator que precisa ser considerado”, disse o médico mastologista.
Câncer de mama e diagnóstico precoce
Segundo Mourão, cerca de 70% dos tumores de mama no Brasil são diagnosticados em estágio avançado. Ele explicou que, atualmente, as mulheres podem iniciar a mamografia a partir dos 40 anos, enquanto anteriormente o exame só era realizado a partir dos 50 anos, a cada dois anos. Além disso, o tempo de espera para diagnóstico caiu de 14 para 4 meses.
“Hoje conseguimos reduzir esse período, fazendo com que pacientes recebam diagnóstico e tratamento de forma mais rápida e eficiente”, afirmou.
A luta contra o câncer de mama
A recepcionista Elane Imbiriba, de 42 anos, descobriu um câncer de mama em estágio inicial durante a pandemia, em 2020, após perceber um nódulo no autoexame.
“Pude descobrir a doença ainda na fase inicial. Meu mundo caiu no início, mas saber cedo me deu chance de salvar minha vida”, contou.

O tratamento de Elane incluiu a mastectomia da mama esquerda e o uso de medicamentos hormonais, como Leuprorrelina e Tamoxifeno, sem necessidade de quimioterapia. Ela descreve o processo como desafiador para a autoestima, mas mantém a fé e a convicção de que será curada.
“Enfrento tudo de cabeça erguida, com muita fé e confiança. Tenho convicção de que tudo ficará bem”, afirmou.






