Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Justiça do Amazonas marcou para o dia 29 de setembro o julgamento que pode mudar o processo contra a mãe e o irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, que morreu em maio de 2024, vítima de edema cerebral.
Cleusimar de Jesus Cardoso e Ademar Farias Cardoso Neto, além de outros três acusados, foram condenados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Agora, a defesa tenta anular a decisão que os levou à condenação. A sessão acontecerá às 9h, no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), sob relatoria da desembargadora Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques.
O que a defesa alega
Os advogados afirmam que não tiveram acesso a documentos importantes do processo, os laudos da perícia em drogas, antes da condenação. Esses laudos, segundo eles, só foram anexados depois da fase em que poderiam se manifestar.
O Ministério Público concordou que houve falha nesse ponto e reconheceu que a defesa não teve a oportunidade de se posicionar a tempo.
O que pode ocorrer
Se o Tribunal aceitar o pedido, a sentença pode ser anulada e os réus terão direito a um novo julgamento. Além disso, os advogados também pedem que as penas sejam revistas e que os acusados possam recorrer em liberdade.
Por outro lado, se o pedido for negado, o MP defende que a condenação seja mantida exatamente como foi decidida pela primeira instância.
Relembre o caso Djidja Cardoso
Djidja Cardoso, que foi uma das principais atrações do Festival de Parintins por cinco anos, foi encontrada morta em 28 de maio de 2024. O laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte foi um edema cerebral, que comprometeu o funcionamento do coração e da respiração. No entanto, o documento não esclarece o que provocou esse quadro.
As investigações da polícia apontam que a overdose de cetamina, droga sintética utilizada como anestésico e analgésico, pode ter sido a causa. No dia da morte, foram encontrados frascos da droga enterrados no quintal, além de seringas, bulas e caixas de medicamentos na lixeira da casa da família.
Segundo a apuração, Ademar Farias Cardoso, irmão de Djidja, teria introduzido o uso da substância na família após contato com a droga durante uma viagem a Londres, onde buscava tratamento contra dependência química. Ele e a mãe, Cleusimar de Jesus Cardoso, criaram posteriormente um grupo religioso chamado “Pai, Mãe, Vida”, no qual realizavam rituais envolvendo o uso de cetamina.
Durante esses encontros, algumas vítimas foram submetidas a violência sexual e aborto, segundo a polícia. O grupo tinha crenças específicas. Ademar se via como Jesus Cristo, Cleusimar como Maria, e Djidja como Maria Madalena, defendendo que o uso da cetamina ajudaria a alcançar elevação espiritual.
Nas redes sociais, Ademar se apresentava como um “guru” capaz de ajudar as pessoas a “sair da Matrix” e alcançar um “plano superior”, e ele e a mãe tinham o nome do grupo tatuado no corpo.






