Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma denúncia de compra de votos envolvendo o prefeito de Manaus e pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante), ainda segue sob investigação da Polícia Federal desde 26 de outubro de 2024, mas até hoje sem respostas conclusivas sobre o andamento do processo.
A operação da Polícia Federal, realizada às vésperas do segundo turno das eleições municipais na capital amazonense, prendeu em flagrante os pastores Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira dentro do centro de convenções da Igreja Pentecostal Unidos do Brasil, na zona Norte de Manaus.
O caso foi amplamente divulgado por veículos de imprensa local e nacional. À época, uma reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS teve acesso ao inquérito policial, que revelou que ambos afirmaram, em depoimento, ter recebido R$ 38 mil de um aliado direto de David Almeida para distribuição entre pastores e obreiros.

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A sede da igreja alvo da operação fica no bairro Monte das Oliveiras, zona Norte da cidade, área considerada reduto político do prefeito. A denúncia encaminhada à PF apontava que pastores eleitores da capital teriam sido convocados a comparecer ao minicentro de convenções do templo.
A reunião com os eleitores teria sido convocada sob o argumento de discutir o “progresso da comunidade”, segundo nota divulgada pela própria Polícia Federal à época.

No local, os agentes apreenderam R$ 21 mil em espécie, além dos R$ 38 mil que, segundo depoimentos, já teriam sido distribuídos na noite anterior. O dinheiro estava dentro de envelopes numerados, cada um com R$ 200, supostamente destinados a eleitores. Também foi apreendida uma lista de presença.

De acordo com a investigação, o esquema teria divisão de tarefas: um dos envolvidos anotava os nomes, outro conferia a lista e um terceiro realizava a entrega dos valores.
Uma reportagem da Rede Amazônica revelou ainda um ponto que chama atenção: os celulares apreendidos na operação, realizada em outubro de 2024, quase um ano e meio depois ainda não passaram por perícia. Os aparelhos são considerados peças-chave para o esclarecimento do caso.
Conforme a investigação, o nome de David Almeida aparece seis vezes no auto de prisão em flagrante. Em depoimento, o pastor Flaviano afirmou que os recursos teriam sido fornecidos por um “irmão da igreja” ligado à campanha do prefeito.
Além das prisões, outras três pessoas foram conduzidas para prestar depoimento. Os investigados podem responder por corrupção eleitoral, crime previsto no Código Eleitoral com pena de até quatro anos de reclusão, além de multa. Eles foram liberados após pagamento de fiança.
Sem respostas
Apesar da gravidade das acusações e da proximidade de dois anos desde a operação, a investigação ainda não teve desfecho público. O Portal RIOS DE NOTÍCIAS buscou posicionamento do Ministério Público Federal, da Prefeitura de Manaus e da Polícia Federal sobre o andamento do inquérito.
Nos questionamentos, a reportagem solicitou esclarecimentos sobre a ausência de perícia nos aparelhos apreendidos e se há previsão para a conclusão da investigação. Até o fechamento desta matéria, nenhum dos citados havia respondido.






