Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A defesa da cabeleireira Rosicleide Rodrigues falou sobre o caso de agressão no último sábado, 27/12, ocorrido no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) da Alvorada, na zona Centro-Oeste de Manaus.
Durante coletiva no 10º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o advogado da vítima, Ezaquiel Leandro, afirma que o caso envolve omissão de socorro, agressão física e dano patrimonial.
Rosicleide denuncia o profissional de saúde Adriel Martins das Neves de tê-la agredido no último sábado, após ela cobrar atendimento do médico plantonista para a mãe, de 65 anos, que apresentava sinais de piora clínica depois de dar entrada na unidade com pressão arterial elevada.
Segundo o advogado, a vítima e a família buscaram atendimento médico em uma situação de extrema urgência e, em vez de acolhimento pelo médico plantonista, que até agora não foi identificado, encontraram descaso e violência dentro da unidade de saúde.
“A gente encontra aí uma omissão de socorro, uma agressão física e uma agressão patrimonial. Uma mulher foi violentamente agredida em um local onde ela deveria ser socorrida. Isso é abominável”, destacou Ezaquiel.
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O advogado confirmou que foi registrado um termo de representação e que a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informou que irá requisitar oficialmente ao SPA da Alvorada a lista dos profissionais que estavam de plantão a partir das 13h40 do dia 27 de dezembro.
Ezaquiel ainda destacou a gravidade da frase atribuída ao médico responsável pelo plantão daquele dia. “Quando a vítima procura socorro, ela escuta do médico: ‘se a tua mãe infartar, deixa que eu respondo’. Isso não pode acontecer em hipótese alguma”, declarou ele.
Rosicleide Rodrigues falou durante a coletiva que, ao perceber nenhuma movimentação no consultório, ela decidiu pedir ajuda diretamente ao médico. Porém, indiginada com a resposta do profissional, ela começou a gravar a situação com o celular no corredor da unidade.
Foi nesse momento que, segundo ela, um outro profissional, identificado como Adriel Martins, apareceu e iniciou as agressões. “Um outro profissional viu eu filmando e disse que ia tacar meu celular na parede. Eu parei de filmar, mas depois puxei o celular de novo. Foi quando ele puxou meu telefone, jogou no chão e partiu para cima de mim”, relatou.
O momento da agressão foi registrado em vídeo e amplamente divulgado nas redes sociais. Rosicleide afirmou que a mãe ouviu toda a conversa e piorou após as declarações do médico. “Ela se sentiu um lixo. Ninguém espera ouvir isso quando precisa de socorro. Depois disso, ela ficou ainda pior”.
Expulso do curso de medicina
A reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS identificou que o profissional envolvido no caso, Adriel Martins das Neves, já foi expulso do curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em 2021 por falta disciplinar grave. Segundo a instituição, ele não concluiu a graduação e não possui diploma médico.

A reportagem reuniu relatos de que ele teria atuado de forma irregular em unidades de saúde e acumulado outras denúncias de conduta agressiva, o que também será investigado pela polícia.



“Não é a primeira vez que isso acontece. Muitas mulheres passam por situações assim e se calam. Eu não vou me calar”, afirmou Rosicleide.
A Polícia Civil do Amazonas informou que testemunhas serão ouvidas e que os envolvidos serão chamados para prestar depoimento. O caso será encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), que vai avaliar as medidas necessárias.
SES-AM solicita afastamento do médico
Em nota enviada ao riosdenotícias.com, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que, diante da gravidade do ocorrido, notificou a empresa Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (Icea), que presta serviço no SPA Alvorada, solicitando o afastamento do médico plantonista.
Segundo a pasta, o profissional não está mais atendendo na rede estadual e também vai responder por infração ética por levar para a unidade uma pessoa não autorizada, ao se referir a Adriel Martins das Neves, profissional de saúde que aparece nas imagens tentando impedir a acompanhante de gravar.
Confira a nota:
“A Secretaria esclarece que existem fluxos que normatizam a atividade acadêmica e de residentes nos hospitais do SUS, uma vez que esses são campo de prática para a formação profissional.
Medidas já estão sendo adotadas para reforçar o cumprimento das normas junto às unidades e prestadores de serviços a fim de evitar que fatos como esses voltem a acontecer.
Dentre essas medidas estão maior rigor junto às universidades que possuem termo para estágio e no controle de acesso e permanência de profissionais e estagiários nas unidades, além da aplicação de multas junto as empresas médicas por descumprimento do que está estabelecido em contrato assinado com a SES-AM.
A SES-AM repudia veementemente qualquer ato de violência e reitera que não compactua, em hipótese alguma, com condutas que violem os princípios do respeito, da ética profissional e da dignidade humana, que devem nortear a atuação de todos os profissionais de saúde.”
SES-AM






