Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os policiais militares Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos se apresentaram à polícia nesta quarta-feira, 22/4, após a Justiça decretar a prisão preventiva dos dois. Eles são suspeitos de envolvimento na morte de Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, durante uma abordagem no bairro Alvorada, na zona Centro-Oeste de Manaus. A informação foi confirmada pelo delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
Versão inicial não se sustentou
De acordo com o delegado, as equipes foram acionadas inicialmente para atender um suposto acidente de trânsito. Ricardo Cunha explicou que a versão apresentada pelos policiais logo se mostrou inconsistente.
“A versão dos policiais militares era que a vítima havia caído da motocicleta após uma perseguição e batido a cabeça na calçada. Ao ser analisado o corpo, foi constatada uma perfuração de arma de fogo na região do peito. Neste momento, os policiais novamente mudaram a versão”, relatou o delegado.
A autoridade policial acrescentou que, com a descoberta do ferimento, um dos policiais foi preso em flagrante ainda no local. Em interrogatório, o sargento Belmiro alegou legítima defesa, afirmando que a vítima estava no escuro com a mão na cintura e que, por isso, efetuou um único disparo, achando que o jovem poderia estar armado. Com base no benefício da dúvida, ele chegou a obter liberdade provisória em audiência de custódia.
Imagens derrubam depoimentos
A virada nas investigações, segundo Ricardo Cunha, veio com a análise de imagens de câmeras de vigilância obtidas tanto pela mídia quanto pelos próprios investigadores. O delegado destacou que as imagens foram determinantes para a decretação das prisões.
“Essas imagens, ao serem analisadas, constatamos que mais uma vez ambos os policiais haviam mentido em seus depoimentos. Não houve outra alternativa senão a representação pela prisão”, afirmou Cunha.
O delegado informou ainda que, após a decretação da prisão preventiva pelo juiz plantonista, a Polícia Militar foi imediatamente comunicada e apresentou os dois policiais ainda na madrugada.
Investigações em andamento
Cunha ressaltou que os policiais também estão sendo investigados por porte ilegal de arma de fogo, já que uma das armas apreendidas não pertencia ao arsenal da corporação, e por possível fraude processual.
“O policial que estava com uma arma que não era da corporação vai responder também pelo porte ilegal de arma de fogo. Estamos analisando a conduta de ambos sobre uma possível fraude processual”, explicou o delegado.
O delegado Ricardo Cunha ponderou que a investigação ainda está em fase inicial, mas garantiu que todos os pontos serão esclarecidos dentro do prazo legal.
“Temos apenas dois dias de investigação praticamente. Ainda está muito no início, mas tudo isso vai ser dirimido no decorrer dessa investigação”, concluiu Cunha.
Família pede justiça
A mãe de Carlos André relatou que, ao chegar ao local na madrugada do domingo, 19, encontrou o filho caído ao lado da motocicleta e foi informada de que se tratava de um acidente de trânsito, versão posteriormente descartada pela perícia, que confirmou o disparo de arma de fogo.
Inconformados com a morte do jovem, amigos e familiares realizaram uma manifestação ainda nesta quarta-feira, em frente ao Fórum Henoch Reis, pedindo justiça pelo caso.






