Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O caso de Benício Xavier, de 6 anos, voltou ao centro do debate público neste domingo, 4/5, após reportagem do Fantástico, da TV Globo, revelar que a investigação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) aponta que a criança recebeu medicação por via intravenosa, quando o procedimento correto seria por inalação. Médica, técnica de enfermagem e diretores do hospital foram indiciados.
De acordo com a reportagem, o quadro clínico da criança não era considerado grave no momento da entrada na unidade de saúde. Ainda assim, a médica responsável, Juliana Brasil, teria prescrito o medicamento de forma inadequada.
A prescrição, classificada como de alta vigilância, foi executada pela técnica de enfermagem Raiza Bentes, mesmo após questionamento da mãe do menino.
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Piora rápida
Após a aplicação, Benício apresentou piora rápida e foi encaminhado à sala de emergência, onde permaneceu internado em estado crítico. Ele morreu cerca de 14 horas depois, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Peritos apontaram que o quadro se tornou irreversível após a administração incorreta da medicação.

Durante a apuração, a polícia analisou o celular da médica e encontrou mensagens que indicariam falta de atenção durante o atendimento. Conversas mostram que ela realizava venda de cosméticos e recebia pagamentos via Pix enquanto acompanhava o caso.
Para o delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação, isso demonstra indiferença diante da gravidade da situação. “É uma prova muito forte de que ela estava totalmente indiferente em relação ao que aconteceria com Benício”, afirmou.
Tentativa de manipulação
O inquérito também aponta tentativa de manipulação de provas. A médica alegou à Justiça que o sistema do hospital teria alterado automaticamente a forma de administração do medicamento. No entanto, a perícia técnica descartou falhas no sistema, e mensagens indicam que ela teria tentado encomendar um vídeo para sustentar essa versão.
Diante disso, Juliana Brasil foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual – quando se assume o risco de matar -, além de fraude processual e falsidade ideológica.
A investigação também constatou que ela se apresentava como pediatra sem possuir especialização na área. Ela responderá ao processo em liberdade.
Descumprimento de protocolos
A técnica de enfermagem Raiza Bentes também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual. Depoimentos indicam que outra profissional havia orientado a aplicação por inalação e preparado um kit de nebulização, mas a orientação não foi seguida.
Segundo a polícia, houve descumprimento de protocolos básicos de segurança, como a dupla checagem.
Além das responsabilidades individuais, o inquérito identificou falhas estruturais no hospital. A unidade operava com número reduzido de profissionais de enfermagem e sem farmacêutico disponível para conferir prescrições médicas. Por isso, dois diretores do Hospital Santa Júlia foram indiciados por homicídio culposo – quando não há intenção de matar, mas há negligência.
A família de Benício Xavier afirma esperar por justiça e defende que a responsabilização dos envolvidos é fundamental para evitar novos casos semelhantes.
Para Bruno Freitas, perder o filho é uma dor impossível de traduzir. Apesar disso, ele afirma que a família busca transformar o sofrimento em força e seguir confiando na Justiça.
“Seguimos confiando nas instituições e no trabalho do Ministério Público, na expectativa de que os fatos sejam analisados com a seriedade que o caso exige. Não buscamos nada além de respostas e justiça, na medida das responsabilidades. Por Benício. Por nós. Por todas as famílias”, declarou.
Caso Benício
Benício Xavier morreu em 23 de novembro de 2025 após receber doses de adrenalina por via intravenosa que, segundo a investigação, não eram indicadas para seu quadro clínico.
Após a medicação, ele apresentou queda na oxigenação e múltiplas paradas cardíacas, sendo encaminhado à UTI, onde não resistiu.






