Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os moradores da rua Senador Fábio Lucena, no bairro Mauazinho, zona Leste de Manaus, vivem uma rotina de medo e insegurança. Na madrugada deste domingo, 12/1, mais uma casa despencou de um barranco após a forte chuva que atingiu a capital.
A residência já havia sido interditada meses atrás pela Prefeitura de Manaus devido ao risco de desabamento. Felizmente, não houve feridos, mas o episódio reacendeu a revolta e a sensação de abandono entre os moradores, que aguardam soluções definitivas para o problema.
Leia também: Fala Manaus: barranco cede e moradores do Mauazinho pedem socorro: ‘estamos à beira do colapso’
“Estamos à beira do colapso”
De acordo com Jomara Vale, 43, moradora da área há 35 anos, a situação piorou consideravelmente no último ano, com árvores caindo, a terra cedendo e rachaduras se espalhando pelas casas próximas à cratera.
“A minha casa, graças a Deus, ainda não caiu, mas estamos todos vivendo com medo. Neste mês, a casa da dona Zana já tinha desmoronado pela metade, e agora foi a da dona Simei, que caiu completamente. Eles recebem o auxílio-aluguel, mas a única coisa que dizem é para sairmos da área de risco e esperarmos pela Seminf (Secretaria Municipal de Infraestrutura)”, relatou Jomara ao portal RIOS DE NOTÍCIAS.

Simei Gomes de Sousa, 42, dona da casa que desabou no domingo, também está apreensiva quanto ao futuro. “Estamos no auxílio-aluguel desde junho e atualmente moro no Jardim Mauá. Quero que a prefeitura indenize minha casa, porque isso só aconteceu por conta do problema de esgoto ao lado. Já fiz minha inscrição na SEMHAF (Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) para receber um imóvel no futuro, mas, sinceramente, se for para me darem um apartamento menor que minha casa, prefiro a indenização,” afirmou.
Erosões e o agravamento do risco
A situação crítica se arrasta desde janeiro de 2024, com o agravamento da erosão na área. Alterações na rede de esgoto, segundo os moradores, são a principal causa do desmoronamento do solo. A infiltração de água tem provocado o enfraquecimento do terreno, colocando em risco não apenas as casas próximas, mas toda a estrutura da rua Senador Fábio Lucena.
“O desabamento aconteceu por volta das duas da madrugada. Pela manhã, ligamos para vários órgãos da prefeitura, mas ninguém veio. Apenas disseram que 14 casas estão isoladas e que devemos aguardar a Seminf para qualquer ação,” explicou Jomara.
Quem teve as casas interditadas precisou se mudar às pressas para outras áreas ou morar com parentes. A espera por uma solução definitiva, entretanto, preocupa. “A gente vive na incerteza, enquanto o barranco continua cedendo e ameaçando todos os moradores daqui,” desabafou.

Resposta
A REPORTAGEM entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para esclarecer quais medidas estão sendo tomadas para atender as famílias afetadas.
Em nota, a Prefeitura informou que as casas desabadas no Mauazinho estavam localizadas em uma área já isolada devido ao risco iminente de deslizamento, conforme laudos técnicos emitidos pela Defesa Civil do Município. A interdição foi realizada para garantir a segurança dos moradores.
Segundo o comunicado, todas as famílias da área de risco foram cadastradas e passaram a receber o benefício do auxílio-moradia, que garante suporte financeiro para que possam viver em locais seguros. Ainda de acordo com a prefeitura, 100% das famílias identificadas estão sendo acompanhadas por serviços de assistência social e psicológico.
“A Defesa Civil segue monitorando a área, enquanto equipes de obras públicas, assistência social e meio ambiente trabalham para reduzir os impactos e prevenir novos incidentes,” concluiu a nota.






