Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma cadela sem raça definida, conhecida popularmente como “caramelo”, foi atingida por uma bomba do tipo catolé e sofreu um grave ferimento na região da boca na madrugada desta quinta-feira, 1º/1, durante a queima de fogos de artifício de réveillon no bairro Santa Etelvina, zona Norte de Manaus.
De acordo com testemunhas, o animal teria perdido parte da boca. O incidente ocorreu durante a soltura de fogos após a virada do ano, quando moradores estariam lançando artefatos explosivos nas proximidades do local onde a cadela se encontrava.
Ainda segundo relatos, assustada com o barulho, a cadela começou a latir. Em seguida, uma bomba do tipo catolé teria sido lançada próxima ao animal, que se aproximou do artefato no momento da explosão. O impacto causou ferimentos graves, principalmente na região da boca.
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Lesão
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram que, logo após a explosão, uma poça de sangue se formou no local onde a cadela estava. Também é possível visualizar a lesão na região da boca do animal.


A chamada “bomba catolé” é um artefato explosivo artesanal ou improvisado, frequentemente associado a acidentes graves. Geralmente é confeccionada com materiais como pólvora – extraída de fogos de artifício – e pode conter objetos como pregos ou pedaços de cano de PVC, o que potencializa seu poder de destruição.
Após o ocorrido, a cadela foi encaminhada ao Hospital Público Veterinário, onde recebeu atendimento emergencial. O estado de saúde do animal ainda não foi divulgado, e ela segue em acompanhamento veterinário.
Lei
A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), alterada pela Lei nº 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão, endureceu as penas para maus-tratos contra cães e gatos, prevendo reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda.
Para outros animais, a pena base é de detenção de três meses a um ano, além de multa, podendo ser agravada em caso de morte ou maus-tratos praticados pelo tutor.
Práticas como abandono, agressão, privação de alimento ou água, falta de assistência veterinária e submissão a trabalhos excessivos também configuram crime de maus-tratos, com denúncias que podem ser feitas às autoridades policiais ou a órgãos ambientais.
Repercussão
O caso repercutiu nas redes sociais e chamou a atenção do vereador Amauri Gomes (União Brasil), que atua na defesa da causa animal. Segundo o parlamentar, ele e sua equipe jurídica iniciarão, a partir desta sexta-feira, 2, a elaboração de um projeto de lei para proibir a venda desse tipo de artefato explosivo em Manaus.
“Isso não traz benefício algum para a sociedade, apenas prejuízo”, afirmou.
Amauri Gomes destacou ainda que situações como essa são inadmissíveis e não podem ser tratadas como acidente, mas sim como crime de maus-tratos contra animais.
“Não podemos aceitar isso de forma pacífica. Por isso, vamos apresentar esse projeto de lei para que essa prática seja proibida de uma vez por todas”, declarou.
Resposta da Secretaria de Estado de Proteção Animal
A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Proteção Animal (SEPET) afirmou que a cadela passará por cirurgia nesta sexta-feira, 2/1, no Hospital Público Veterinário onde recebe acompanhamento especializado da equipe técnica.
“A Sepet acompanha o caso e alerta que o uso de fogos e artefatos explosivos representa um risco real à vida dos animais, que podem entrar em pânico com o barulho e sofrer ferimentos graves“, aponta.
A secretaria destaca que o animal permanece em estado de saúde grave, sob monitoramento constante e segue recebendo toda assistência para a sua recuperação.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS com a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação






