Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com uma seca antecipada e indícios de incêndios coordenados, o Amazonas registrou um aumento significativo no número de queimadas, com mais de 12 mil focos somente neste ano, de acordo com informações divulgadas pelo Ibama.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o biólogo e pesquisador Lucas Ferrante enfatiza que grande parte das queimadas são “tanto criminosas quanto intencionais”. De acordo com o especialista, a Amazônia não é uma região propensa a incêndios naturais devido à vegetação densa e úmida. Portanto, as queimadas na região devem ser tratadas com ações concretas.

“A Amazônia não pega fogo naturalmente. É crucial entender que tanto as queimadas no ambiente urbano quanto rural são resultado de ações criminosas. O fogo na região amazônica não ocorre por acaso; é o resultado de práticas deliberadas“, caracteriza Ferrante.
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Nesta terça-feira, 27/8, o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no estado, Joel Araújo, destacou que a Polícia Federal abrirá uma investigação, assim como em São Paulo, para apurar os crimes no território amazonense.
Segundo a autoridade, há indícios de incêndios coordenados. “Não tem como a gente comprovar no momento, porque ainda não há uma investigação, mas há materialidade. Neste momento, é preciso investigar. Há indícios, porque a forma sincronizada é muito suspeita”, declarou Joel.
Desafios no combate ao fogo
O riosdenotícias.com conversou com Heitor Pinheiro, geógrafo e brigadista voluntários, além de especialista em monitoramento ambiental. O profissional, que atua na linha de frente, destaca a complexidade da situação e as estratégias necessárias para melhorar a resposta aos incêndios.
“O desafio maior sempre é a logística e o suporte. Temos diversos brigadistas voluntários atuando em Unidades de Conservação e nas cidades, além de equipamentos posicionados em locais estratégicos. No entanto, com a seca severa e as dificuldades de acesso, torna-se cada vez mais difícil combater os incêndios.“
Heitor Pinheiro, brigadista

Heitor destaca que, apesar dos esforços, as ações ainda são pouco eficazes frente à grande proporção de incêndios. “Temos ações do governo, mas mesmo com o esforço contínuo, elas não são suficientes devido à grande proporção do fogo. Na região metropolitana de Manaus, o número de ocorrências ainda está baixo, mas é provável que piore“, salienta.
Apesar dos constantes focos de incêndio, o Amazonas mobilizou 410 homens na região metropolitana e no Sul do estado, além de outros 100 homens do Ibama.

Estratégia na linha de frente
O brigadista Heitor Pinheiro defende uma abordagem mais proativa. “A principal estratégia é atuar quando os focos de incêndio são pequenos. Uma resposta rápida é crucial. O ideal seria a criação de um Sistema de Comando de Incidentes (SCI) que inclua governo, sociedade civil e parceiros para distribuir forças e aumentar o número de pessoas em campo.”
“Temos municípios bem articulados como Presidente Figueiredo, que conta com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Brigada Galo da Serra. No entanto, ainda precisamos de um centro em Manaus que concentre esforços para auxiliar, principalmente em Unidades de Conservação e seu entorno”, finalizou.
Determinação do STF
Outra ação de resposta partiu do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flavio Dino determinou nesta terça-feira, 27/8, que o governo federal reforce ao máximo, no prazo de 15 dias, a quantidade de pessoas que atuam no combate ao fogo no Pantanal e na Amazônia.

Pela ordem, deve ser mobilizado “todo contingente tecnicamente cabível” de diversos órgãos, incluindo das Forças Armadas, da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Força Nacional, incluindo bombeiros militares que nela atuem, e da Fiscalização Ambiental.
O ministro escreveu que “os equipamentos e materiais necessários devem ser deslocados, ou requisitados, ou contratados emergencialmente.”






