Redação Rios
MANAUS (AM) – A crescente preocupação com construções sustentáveis tem levado profissionais da arquitetura e engenharia a resgatarem técnicas tradicionais de edificação. Nesse contexto, a chamada arquitetura vernacular, que faz uso de materiais e métodos construtivos locais, vem sendo valorizada por sua capacidade de adaptação ao clima, à cultura e às condições específicas de cada região.
Segundo o arquiteto Emanuel Gonzaga, a abordagem se sustenta em três princípios centrais: sustentabilidade natural, adaptação climática e identidade cultural. Esses fatores contribuem para a redução do impacto ambiental e do consumo energético, além de proporcionarem conforto térmico e ventilação natural sem a necessidade de tecnologias complexas.
Gonzaga destaca exemplos presentes em comunidades do interior do Amazonas, onde casas sobre palafitas e o uso de materiais como madeira e palha refletem uma relação direta com o meio ambiente.
“As construções tradicionais da região mostram uma convivência respeitosa com o território. As coberturas amplas e as aberturas generosas respondem às condições climáticas locais, garantindo conforto e segurança aos moradores”, observa o arquiteto.
Para ele, trazer elementos da arquitetura vernacular para o contexto urbano não significa retroceder, mas reinterpretar princípios antigos com recursos contemporâneos. Estratégias como ventilação cruzada, sombreamento por brises, telhados verdes e o uso de materiais regionais certificados são exemplos de soluções modernas inspiradas nessa tradição.
O arquiteto ressalta ainda que a verdadeira inovação pode estar no retorno às origens. “Os povos tradicionais sempre projetaram de forma inteligente, aproveitando o sol, o vento e os recursos locais. A sustentabilidade nasce de escolhas conscientes e do respeito ao ambiente. Cada lugar oferece suas próprias respostas, e cabe ao arquiteto saber escutá-las”, afirma Gonzaga.
*Com informações da Agência Brasil






