Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O candidato à reeleição ao Governo do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), defendeu, nesta segunda-feira, 31/8, a contratação de um novo empréstimo de até R$ 1,4 bilhão para o Estado.
A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Rio Mar, em meio a questionamentos sobre a situação financeira do Amazonas, pagamentos pendentes e a proximidade das eleições.
Durante a entrevista, os jornalistas questionaram o candidato sobre a necessidade de ampliar o endividamento do Estado diante de reclamações de categorias profissionais e fornecedores relacionadas a pagamentos em atraso.
‘Os empréstimos vêm carimbados’, afirma Cidade
Ao ser questionado sobre a contratação do empréstimo, Roberto Cidade afirmou que a operação não teria como objetivo simplesmente ampliar os recursos disponíveis para o governo. Segundo ele, o dinheiro possui destinação definida.
“Pegando o empréstimo porque quer pegar? Não. Os empréstimos, quando a gente pega, eles vêm carimbados, o que você vai utilizar. Esse empréstimo que está hoje sendo feito junto ao Banco do Brasil é para investimento, é para infraestrutura do nosso Estado”, afirmou.
O candidato também relacionou a operação à realização de obras no interior do Amazonas e disse que, sem os recursos, municípios poderiam deixar de receber investimentos em pavimentação ainda neste ano.
“Quem está lá no interior hoje precisando de asfalto, se não sair esse empréstimo não vai ter asfalto esse ano”, destacou.
Candidato rebate questionamento sobre proposta
Em outro momento da entrevista, Roberto Cidade reagiu ao questionamento de uma jornalista sobre sua participação na entrevista na condição de candidato, enquanto também exerce o cargo de governador.
O candidato afirmou que, até aquele momento, as perguntas estavam concentradas na administração estadual e não em suas propostas para a campanha.
“Olha, primeiramente que eu vim aqui para tratar de propostas. Até o momento vocês não fizeram nenhuma pergunta para tratar da nossa proposta, dos nossos compromissos com o Estado do Amazonas e da nossa candidatura”, declarou.
Na sequência, Cidade reconheceu que a condição de governador o colocava diretamente no centro dos questionamentos sobre as finanças estaduais. A declaração ocorreu durante a discussão sobre a necessidade de autorização legislativa para operações de crédito e os impactos da medida no orçamento.
“Mas é porque eu sou o atual governador e também estou respondendo a sua pergunta”, ressaltou.
Cidade afirmou ainda que operações envolvendo recursos públicos precisam passar pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e defendeu que a busca por espaço fiscal seja planejada antes do início do próximo exercício financeiro.
“Eu seria irresponsável se eu não mandasse para a Assembleia, esperasse passar a eleição para poder buscar esse espaço fiscal, tendo em vista que o Estado do Amazonas precisa aportar esse recurso para o próximo ano”, afirmou.
Empréstimo de R$ 1,4 bilhão
Na última quarta-feira, 26, a Justiça Federal no Amazonas determinou a suspensão provisória de atos relacionados à contratação de um empréstimo de R$ 1,462 bilhão pelo Governo do Amazonas junto ao Banco do Brasil.
A decisão ocorreu no âmbito de uma ação popular apresentada pelo advogado Carlos Miqueias Soares Brandão, que questiona a legalidade da operação, a destinação dos recursos e as condições financeiras previstas no financiamento.
Posteriormente, no sábado, o Ministério Público Federal (MPF) se manifestou favoravelmente à liberação do empréstimo contratado pelo Governo do Amazonas junto ao Banco do Brasil e pediu à Justiça Federal a revogação da liminar que havia suspendido os atos relacionados à operação.
A decisão sobre a liberação definitiva do financiamento cabe à Justiça Federal.






