Júnior Almeida – Rios de Notícias
BELÉM (PA) – Menos de 48 horas depois de viralizar a informação de que pratos como açaí, tucupi e maniçoba estariam vetados da COP30, a organização do evento internacional recuou e publicou uma errata liberando oficialmente os ingredientes.
O veto inicial constava em edital da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), que alegava riscos sanitários associados ao consumo desses alimentos. O documento citava o perigo de contaminação por Trypanosoma cruzi no açaí não pasteurizado e toxinas naturais presentes no tucupi e na maniçoba quando preparados de forma inadequada.
A decisão foi recebida com críticas no Pará e em todo o país. Chefs de cozinha e especialistas em gastronomia destacaram que a medida apagava a identidade cultural de Belém, cidade que vai sediar a conferência da ONU sobre o clima em novembro de 2025.
Diante da pressão, o ministro do Turismo, Celso Sabino, articulou junto à OEI e ao secretário-geral da COP30, Valter Corrêa, a revisão imediata do edital. Em nota oficial, a organização informou que “as normas foram ajustadas para garantir a segurança alimentar sem comprometer a valorização da gastronomia local”.
Com a errata publicada, os pratos típicos voltam ao cardápio do evento. O Ministério do Turismo reforçou que a gastronomia paraense é um patrimônio mundial, lembrando que Belém foi reconhecida pela Unesco como Cidade Criativa da Gastronomia e aparece na lista de 2025 da Lonely Planet como única cidade brasileira entre os dez melhores destinos gastronômicos do planeta.
Para Sabino, o recuo representa mais do que uma vitória da cozinha regional: “É o reconhecimento de que não se pode falar em Amazônia sem valorizar sua cultura, seu povo e, principalmente, sua comida”.
A COP30 deve reunir mais de 30 mil pessoas em Belém, entre líderes globais, pesquisadores e representantes da sociedade civil.






