Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A circulação de veículos na nova ponte sobre o Rio Autaz Mirim, situada no km 25 da BR-319, foi liberada na manhã deste sábado, 25/4. A liberação ocorreu após testes de carga e segurança realizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
O ato de abertura, contudo, foi antecipado por uma mobilização popular que, depois da conclusão técnica da obra, deu início ao fluxo de veículos, pondo fim à espera por uma solenidade oficial de inauguração.
A movimentação foi confirmada por André Marsílio, presidente da Associação dos Amigos da BR-319 (AADBR-319). Segundo ele, a abertura da via foi um reflexo do anseio dos motoristas que dependem da rodovia. “A própria população inaugurou”.
Segundo Marsílio, não houve nenhum tipo de forçação ou tumulto. Mesmo sem a autorização do órgão federal, ele informa que apenas foi garantido o exercício do direito de ir e vir após a constatação de que a ponte estava segura e liberada para o tráfego pelo DNIT.
Horas após o início do fluxo de carros, o senador Eduardo Braga (MDB) enviou nota à imprensa informando que a liberação já estaria sendo autorizada pelo órgão, inicialmente prevista para segunda-feira, 27/4.
Denúncias de “uso político”
A liberação antecipada ocorre em meio a uma série de denúncias sobre o adiamento da entrega. O senador Plínio Valério (PSDB) usou suas redes sociais para criticar o que classificou como “uso político” da infraestrutura. De acordo com o parlamentar, o fluxo seguia bloqueado apenas para aguardar uma visita oficial do presidente Lula (PT) ao Amazonas.
Nas redes sociais, a revolta dos usuários também foi determinante. Cynthia Cirino, internauta e usuária da via, destacou o prejuízo causado pela espera: “Em época de eleições, seguram uma obra dessas que beneficiaria milhares de pessoas. Temos que escolher políticos que lutam pelo povo”. Já Suzana Perrone classificou a situação como “descaso total” com os moradores da região do Careiro.
Obra vital
Com investimento superior a R$ 44 milhões, a nova estrutura atende aos parâmetros de engenharia exigidos. A nova ponte é uma obra vital para o Amazonas, substituindo a estrutura que desabou em 8 de outubro de 2022, poucas horas após ser interditada. O colapso aconteceu apenas dez dias depois da queda da ponte vizinha, sobre o Rio Curuçá (km 23), que deixou quatro mortos e 14 feridos.
Desde então, o trecho vinha sendo operado de forma precária, dificultando o escoamento de produtos e a mobilidade de quem utiliza a BR-319, a única ligação terrestre que conecta o Amazonas ao restante do Brasil.






