Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A prisão de mais um professor de jiu-jítsu investigado por estupro de vulnerável levou a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) a reforçar o compromisso no combate aos crimes sexuais contra crianças e adolescentes no ambiente esportivo. Nesta terça-feira, 21/7, o delegado-geral adjunto da instituição, Guilherme Torres, afirmou que os casos registrados recentemente não representam a modalidade e destacou as ações preventivas adotadas para proteger alunos nas academias.
A declaração foi feita um dia após a prisão de um professor de 33 anos, realizada na segunda-feira, 20, em uma academia de jiu-jítsu no bairro Nova Esperança, zona Oeste de Manaus. Ele é investigado por estuprar uma adolescente que tinha 14 anos na época dos fatos e era sua aluna.
De acordo com a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), o crime ocorreu no fim de 2025. O suspeito foi até a residência da vítima alegando que pretendia contratar os serviços do pai da adolescente, que é tatuador. No entanto, ao perceber que o homem não estava no local, aproveitou que a jovem estava sozinha para cometer o abuso.

A investigação teve início após o representante legal da adolescente procurar a Depca para denunciar o caso. Até o momento, a polícia não identificou outras vítimas, mas as diligências continuam para verificar se há novos relatos envolvendo o investigado.
Ao comentar a prisão, Guilherme Torres ressaltou que os episódios envolvendo professores não podem ser usados para generalizar a imagem do esporte.
“Mais um professor de jiu-jítsu foi preso no estado do Amazonas. Isso não reflete o esporte amazonense. Eu continuo acreditando que o jiu-jítsu é um dos maiores meios de inclusão social através do esporte”, afirmou.
Além de delegado, Torres também é professor de jiu-jítsu e mantém um projeto social voltado para crianças. Segundo ele, a Polícia Civil atua não apenas na investigação dos crimes, mas também na prevenção.
Entre as medidas adotadas está um código de conduta destinado a professores, alunos e responsáveis, disponível no site da Polícia Civil. O documento estabelece normas para tornar o ambiente esportivo mais seguro e já foi adotado por todas as federações de jiu-jítsu, luta livre e judô do Amazonas.
O delegado informou ainda que, durante o processo de recredenciamento das academias, os professores participam de palestras promovidas pela Delegacia-Geral, assinam o código de conduta e entregam o documento às respectivas federações.
“É mais uma ação da Polícia Civil preventiva para que a gente possa combater de maneira mais eficiente esse tipo de crime”, destacou.
Guilherme Torres também reforçou que denúncias envolvendo abuso sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas por meio do Disque-Denúncia 197, da Depca ou em qualquer Distrito Integrado de Polícia (DIP).
“Todas as denúncias envolvendo criança e adolescente serão investigadas. Reafirmo o nosso compromisso, que é varrer a pedofilia dos tatames”, declarou.
Casos recentes
A prisão desta semana ocorre em meio a uma sequência de investigações envolvendo professores e treinadores de jiu-jítsu no Amazonas.
No início de julho, Carlos Vieira Holanda, conhecido como “Esquisito”, foi preso por suspeita de assédio sexual, importunação sexual, estupro e estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes. Segundo a Polícia Civil, ele apresentava um padrão de atuação em que oferecia carona às vítimas após os treinos e, durante o trajeto, as levava para motéis, onde os abusos eram cometidos.
Outra linha de investigação apura a suspeita de que adolescentes eram levadas para competições esportivas e oferecidas a patrocinadores.

Em junho deste ano, o ex-professor Alcenor Alves Soeiro foi condenado a 178 anos e cinco meses de prisão por crimes de abuso sexual praticados contra alunos entre 2011 e 2018.
Conforme a sentença, ele utilizava a posição de treinador para conquistar a confiança das vítimas, oferecendo presentes, viagens e pernoites na academia antes de cometer os abusos.

Outro caso que segue sob investigação é o do treinador Melqui Galvão. Preso em abril, ele é investigado por suspeita de abuso sexual contra adolescentes após uma atleta denunciar atos libidinosos sem consentimento durante uma competição na Itália.
Com o avanço das investigações, outras possíveis vítimas surgiram em diferentes estados, incluindo relatos de supostos abusos cometidos quando uma das denunciantes tinha apenas 12 anos.

Diante da sequência de casos, a Polícia Civil afirma que continuará intensificando tanto as investigações quanto as ações preventivas para garantir que academias e projetos esportivos sejam ambientes seguros para crianças e adolescentes.






