Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As acusações feitas pelo ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) contra a gestão da saúde estadual provocaram uma reação do secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luís Alberto Saraiva Santos, nesta quarta-feira, 4/11. Após ser acusado de interferir na troca de fornecedores para supostamente beneficiar empresas ligadas a ele, o secretário rebateu as declarações e desafiou Ramos a apresentar provas.
O embate começou durante uma entrevista concedida por Marcelo Ramos, diretamente de Brasília, ao Programa do Povo na TV, da TV Norte. Ao criticar a situação financeira do Governo do Amazonas, o ex-parlamentar afirmou que o titular da Saúde estaria pressionando organizações sociais a substituir empresas prestadoras de serviços por fornecedores supostamente ligados a ele.
“O secretário de Saúde está obrigando as OSS a trocar de fornecedores para colocar fornecedores identificados a ele, ligados a ele”, acusou Marcelo.
A declaração foi feita em meio a críticas à gestão do governador Roberto Cidade (União Brasil) e à destinação de recursos públicos. Ramos também cobrou uma reação de órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, diante das situações denunciadas.
Secretário reage e exige provas
Após as declarações, Luís Alberto Saraiva utilizou o Instagram para contestar a acusação. Em vídeo, classificou a fala como irresponsável e cobrou diretamente do ex-deputado a identificação das empresas que teriam sido beneficiadas.
“Eu quero que o senhor diga qual foi o fornecedor que foi trocado por mim em facilitação para qualquer interesse privado ou particular. O senhor não tem como provar ou me vincular a nenhum tipo de afirmação como essa”, rebateu.
O secretário também afirmou que mudanças de fornecedores podem ocorrer quando as empresas não cumprem suas obrigações na prestação dos serviços de saúde.
“Os fornecedores, sejam lá quem sejam, eles vão ser sempre modulados ou trocados se não estiverem entregando para a população do Estado do Amazonas o que deva ser entregue, que é uma saúde adequada”, declarou.
Saraiva ainda deixou um recado direto ao ex-parlamentar: “Preste atenção muito bem no que o senhor tem falado.”
Durante a entrevista, Marcelo Ramos não identificou quais empresas teriam sido favorecidas nem apresentou documentos que comprovassem a suposta interferência.
Marcelo questiona pagamentos de R$ 577 milhões
As acusações contra o secretário surgiram durante críticas de Marcelo Ramos à situação financeira do Governo do Amazonas. O ex-deputado afirmou que, após a liberação de um empréstimo de aproximadamente R$ 1,4 bilhão junto ao Banco do Brasil, o Estado teria realizado pagamentos de R$ 577 milhões em apenas seis dias.
“Com o empréstimo liberado, nós esperávamos que esses recursos fossem utilizados pra pagar as prioridades do governo do Estado. Mas eles conseguiram, em seis dias, pagar 577 milhões de reais, a maior parte disso, pra uma empresa de geoprocessamento”, declarou.
Segundo Marcelo, os pagamentos teriam ocorrido enquanto fornecedores de serviços essenciais enfrentariam atrasos, incluindo profissionais médicos, empresas responsáveis pela merenda escolar e pela manutenção de viaturas.
“Há uma inversão absoluta de prioridade, o que sinaliza que o objetivo dos pagamentos não é colocar em dia as contas públicas”, criticou.
Os valores e a destinação dos pagamentos mencionados pelo ex-deputado não foram acompanhados de documentos durante a entrevista.
Críticas a Roberto Cidade e Wilson Lima
Marcelo Ramos também responsabilizou o ex-governador Wilson Lima e o atual governador Roberto Cidade pela situação financeira do Amazonas.
Na avaliação do ex-parlamentar, Cidade, enquanto presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), tinha a responsabilidade de fiscalizar a execução do orçamento público durante a gestão anterior.
“O Estado está quebrado porque o Roberto Cidade, que era presidente da Assembleia, não cumpriu a sua função de fiscalizar a execução do orçamento público”, afirmou.
O ex-deputado ainda acusou as duas gestões de má administração dos recursos estaduais e pediu que os órgãos de controle investiguem os pagamentos realizados pelo governo.
“O que está acontecendo no Estado do Amazonas é gravíssimo, é um saqueamento descarado dos cofres do Estado, e é preciso que a população possa reagir e que os órgãos de controle possam reagir”, declarou.
As acusações de Marcelo Ramos sobre os pagamentos e o suposto favorecimento de fornecedores não foram acompanhadas de documentos que permitam confirmar as irregularidades apontadas.
Já o secretário Luís Alberto Saraiva negou qualquer interferência para favorecer interesses particulares e desafiou o ex-deputado a apresentar provas das acusações.
O Portal Rios de Notícias procurou o Governo do Amazonas para comentar as declarações de Marcelo Ramos sobre os pagamentos milionários e os supostos atrasos em serviços essenciais. O espaço permanece aberto para manifestação.






