Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Celebrar a chegada de um novo ano no calendário vem de aproximadamente quatro mil anos, em que diferentes povos costumavam festejar a virada da nova estação, seguindo tradições e produzindo símbolos que representavam, de alguma forma, a esperança de novo ciclo.
Os primeiros povos na antiguidade a celebrarem a passagem do ano, que significava a chegada da primavera, teriam sido os da Mesopotâmia, atualmente a área corresponde aos territórios da Síria, Turquia, Iraque e Kuwait.
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O professor e historiador Filicio Mulinari explica que, as tradições do novo ano aconteciam na mudança das estações. Isso porque todos, naquela época, dependiam da agricultura para sobreviver e, portanto, o fim do inverno e o início da primavera, época de plantio da lavoura, e data de celebração.
As comemorações estavam muito mais ligadas as estações do ano, então, os povos comemoravam sempre a chegada da primavera, daí a comemoração de um ano novo para esses povos antigos está associada ao mês de março, sobretudo, entre os dias 20 e 25, quando no hemisfério norte o inverno se encerra e a primavera tem início.
Isso significa dizer que naquela época, a nova estação era correspondida com o avanço da colheita na chegada da primavera, indicando certamente tempos de riqueza e fartura para a população.
Atualmente, as comemorações de virada de Ano Novo seguem uma tradição completamente diferente e leva em consideração o calendário Gregoriano, – calendário ocidental adotado pelo papa Gregório XIII em 1582, no lugar do calendário Juliano – e que instituiu o dia 1° de janeiro como abertura do ano.
Réveillon
Uma das palavras mais usadas para se referir as festas de fim de ano e, para muitos até difícil de acertar na escrita, “Réveillon” é utilizado em várias partes do mundo. Mas teve o seu surgimento na França, derivando-se do verbo “acordar” na língua nativa do país. A ocasião nada mais era do que as festas realizadas pela nobreza francesa, sendo adaptada no século 19, por outras famílias reais de várias partes do mundo.
No Brasil, a tradição se rendeu às características religiosas do passado histórico e repercute até hoje nas festas e costumes do fim de ano. Usar branco na virada do ano, ou dar sete pulos nas ondas do mar, superstições essas oriundas de religiões de matrizes africanas.


Na década de 1970, as roupas brancas se tornaram costumeiras nas festas de virada de Ano Novo, quando adéptos do candomblé começaram a fazer oferendas em praias como a de Copacabana, no Rio de Janeiro. Os atos atraíram outros simpatizantes brasileiros que passaram, também, a se vestirem de branco nesse período. Para o ocidente essa cor representa transição para a paz.
Citado anteriormente, a tradição de pular as sete ondas do mar na virada do ano e fazer sete pedidos diferentes está ligada à umbanda e ao culto à Iemanjá.
O sete é um número enigmático, que na umbanda representa Exu, filho de Iemanjá. Também tem relação com as Sete Linhas de Umbanda, conceito de organizações dos espíritos, como explica, ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a praticante da religião, Keully Leal.
“A gente compreende o número 7 como sendo o sétimo dia, em que Deus descansou. É também um número cabalístico, enigmático, que representa a plenitude, da construção de algo que foi finalizado, é o êxito. Além de ser o número do ‘sucesso’, ele é o número de portas, no caso da nossa religião, as sete portas”, informou Keully.






