Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um relatório internacional divulgado pela rede investigativa Amazon Underworld revelou que Manaus e Tabatinga, cidades do estado do Amazonas, se consolidaram como os principais pontos de conexão das organizações criminosas que controlam o tráfico de drogas na região amazônica.
O estudo “A Amazônia sob ataque – Mapeando o crime na maior floresta tropical do mundo”, publicado na última terça-feira, 21/10, mostra que a capital amazonense é usada como rota fluvial estratégica pelo crime organizado para escoar cocaína produzida na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, onde fica Tabatinga.
De acordo com o levantamento, Manaus atua como ponto de trânsito das remessas de drogas que chegam pelo Rio Solimões e seguem pelo Rio Amazonas até os portos de exportação, especialmente em municípios do estado do Pará. As facções mais atuantes são o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
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A capital amazonense é citada como base logística essencial na estrutura operacional das duas organizações, que disputam o controle das rotas e do comércio ilícito em toda a Bacia Amazônica. Os pesquisadores destacam que a fragilidade do controle portuário facilita a infiltração do crime organizado na logística de exportação.

O documento cita que a cocaína, apenas uma das substâncias entorpecentes transportadas no estado, apreendida na Amazônia tem como destino principal os mercados da Europa e da África, e que o Brasil, por sua posição geográfica e rede de rios navegáveis, se tornou um dos maiores corredores de tráfico do mundo.
“Essa convergência faz da Amazônia uma das regiões mais violentas e dominadas pelo crime do mundo. As alianças entre grupos do crime organizado permanecem voláteis e temporárias, enquanto as disputas territoriais por corredores de tráfico, mercados de drogas e áreas de produção catalisam a violência nos territórios rurais e urbanos da Amazônia”, afirma o estudo.
Histórico das facções
O relatório aponta que o Amazonas era inicialmente dominado pela Família do Norte (FDN), sediada em Manaus, que estabeleceu fortes conexões com guerrilhas colombianas e produtores de coca peruanos em 2010. A região mergulhou em uma onda de violência quando o pacto de não agressão entre o PCC e o CV quebrou-se em 2016.

A partir daí, o tráfico em Manaus passou a ser comandado pelo Comando Vermelho, que mantém conexões diretas com produtores de coca na Colômbia e no Peru. O grupo atua tanto nas prisões quanto nas periferias da capital, expandindo sua influência sobre as rotas fluviais e comunidades ribeirinhas.
Para os autores, o fortalecimento de Manaus como centro operacional das facções reflete o avanço do crime transnacional sobre o território amazônico, em meio à ausência do Estado e ao crescimento de economias ilegais como o garimpo, o contrabando e o desmatamento e a venda ilegal de madeira.

O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou um posicionamento oficial da Secretaria de Estado Segurança Pública (SSP-AM) sobre a sua atuação no combate ao tráfico internacional de drogas e aguarda resposta. O espaço segue aberto.






