Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Motoristas do transporte alternativo, conhecidos como “Amarelinhos”, incendiaram um micro-ônibus e bloquearam a avenida Autaz Mirim, na zona Leste de Manaus, durante uma manifestação realizada na manhã desta quinta-feira, 2/7.
O protesto foi motivado pelo atraso no pagamento do subsídio da passagem estudantil e provocou um longo congestionamento em uma das principais ligações entre as zonas Norte e Leste da cidade.
O ato ocorreu no trecho da Grande Circular, nas proximidades do DB do bairro Jorge Teixeira. Durante a mobilização, os manifestantes interditaram completamente a pista e atearam fogo em um micro-ônibus. As chamas e a intensa fumaça chamaram a atenção de motoristas e moradores da região.
Uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) foi acionada para controlar o incêndio. Apesar do impacto da ocorrência, não houve registro de feridos.
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Segundo testemunhas, o veículo incendiado estava parado em uma oficina por falta de recursos para manutenção. Trabalhadores afirmam que a situação reflete a crise enfrentada pelo transporte alternativo e que outros veículos também estão fora de circulação por problemas financeiros.
Além do pagamento dos subsídios do transporte estudantil, a categoria reivindica a renovação da frota e cobra uma solução para as dificuldades financeiras enfrentadas pelos permissionários.
Equipes da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) acompanharam a manifestação e iniciaram negociações com representantes da categoria. Após o diálogo, parte da pista foi liberada para o tráfego, mas o fluxo permaneceu lento durante toda a manhã.
Categoria relata crise financeira
Durante o protesto, Claudionar Proença, presidente de uma das cooperativas do transporte alternativo, fez um apelo ao prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante). Segundo ele, a categoria enfrenta uma grave crise financeira e aguarda uma resposta do Executivo Municipal.
“O senhor não é obrigado a me receber, não, mas é obrigado a dar uma satisfação para a categoria. Aqui não tem questão política. Estamos falando de pais de família que estão passando fome, que enfrentam doenças como o câncer e não conseguem mais trabalhar”, afirmou.
O dirigente também alertou que novas manifestações poderão ser realizadas caso não haja avanço nas negociações com a Prefeitura.
“O senhor diz que olha pelos pais de família e que veio da classe humilde, assim como nós. Então olhe para essa categoria. Tome uma decisão e resolva o problema do sistema. Há pessoas que acreditaram nas suas promessas e esperam uma resposta”, declarou.
Posicionamento
Em nota enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a Prefeitura de Manaus por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informa que a interrupção do transporte complementar foi uma ação isolada de uma única cooperativa e sem adesão da maioria dos permissionários e motivada por interesses políticos.
De acordo com a nota, a administração municipal mantém diálogo permanente com a categoria e destaca que avançou nas tratativas para a implementação do subsídio, onde fica definido que os critérios de pagamento e o valor dos benefícios seriam estabelecidos ainda nesta semana, com base em estudo técnico elaborado pelo IMMU.
Segundo a Prefeitura de Manaus, o pagamento está condicionado ao cumprimento de critérios técnicos e administrativos, incluindo adequação de rotas e quadros de horários, a capacitação dos operadores pela Escola Pública de Transporte Inclusivo e o compromisso com a renovação da frota.
A Prefeitura de Manaus destaca que a conclusão do processo de licitação e regulamentação do sistema após mais de dez anos, garantindo segurança jurídica e organização.
De acordo com a gestão, o subsídio referente às gratuidades estudantis segue em análise, após entrega de documentação pelas cooperativas nesta quarta-feira, 1º/7 e ressalta que não admite coação e que acompanha a situação para garantir a continuidade do serviço.






