Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O senador e pré-candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), destinou emendas parlamentares para obras na rodovia AM-366, no interior do Amazonas, estrada que avança sobre áreas de floresta amazônica sem licenciamento ambiental. A denúncia foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo neste domingo, 26/4.
De acordo com a reportagem, a obra contou com apoio político do senador e do prefeito de Tapauá, Gamaliel Andrade (União), com recursos de emendas parlamentares destinados à expansão da estrada no município.
Ainda segundo o levantamento, em agosto de 2021, o prefeito divulgou nas redes sociais uma foto ao lado de Omar Aziz para anunciar a destinação de verbas voltadas à pavimentação da rodovia estadual.

Leia também: AM-366: obra financiada por emenda de Omar Aziz é multada por irregularidades ambientais
Integração e promessa de desenvolvimento
A reportagem aponta que o projeto foi apresentado como uma proposta de integração regional para Tapauá, um dos municípios mais isolados do Amazonas. Atualmente, a cidade só tem acesso por via aérea ou fluvial, e o deslocamento até Manaus pode levar de dois a três dias, dependendo das condições dos rios.
Segundo a Folha de S.Paulo, a AM-366 foi planejada com o objetivo de reduzir esse isolamento, conectando o município à BR-319, rodovia federal que liga Manaus a Porto Velho e que há anos é alvo de debates sobre impactos ambientais e avanço do desmatamento.
Para lideranças locais, a estrada representa oportunidade de desenvolvimento econômico, redução de custos logísticos e melhoria no escoamento de mercadorias e serviços.
Pressão ambiental e críticas
Apesar do discurso de progresso, a construção da AM-366 passou a ser alvo de críticas por avançar sobre áreas sensíveis da floresta amazônica.
De acordo com a reportagem, o traçado da rodovia corta áreas de mata preservada, atinge o Parque Nacional Nascentes do Lago Jari e impacta duas terras indígenas homologadas. Ainda segundo a investigação, trechos da estrada teriam sido abertos sem licenciamento ambiental e sem estudos prévios de impacto.
O projeto prevê cerca de 550 quilômetros de extensão. Até o momento, aproximadamente 40 quilômetros já foram executados em diferentes municípios do interior do Amazonas, incluindo Juruá, Tefé e Tapauá. No trecho associado à gestão de Gamaliel Andrade, cerca de 14 quilômetros teriam sido abertos em área de floresta.
Impactos já observados
A reportagem destaca que, embora ainda represente parte reduzida do projeto, a intervenção já provoca efeitos ambientais. Segundo a apuração, a abertura da via teria impulsionado ocupações irregulares e acelerado processos de degradação ambiental na região.
Além disso, igarapés que abastecem rios locais teriam sido afetados por bloqueios e alterações no fluxo natural da água, comprometendo o equilíbrio ecológico.
Uso de máquinas e fiscalização
A Folha de S.Paulo também aponta que o caso da AM-366 não é isolado. A investigação identificou o aumento no uso de máquinas adquiridas com emendas parlamentares em obras de abertura de estradas na Amazônia.
Em diferentes municípios, equipamentos comprados com recursos públicos estariam sendo utilizados por gestões locais em intervenções sem o devido licenciamento ambiental.
Segundo a reportagem, o cenário revela a expansão de obras em áreas sensíveis da floresta com baixa fiscalização. O uso de emendas parlamentares para esse tipo de projeto teria contribuído para o avanço de estradas sem planejamento ambiental adequado, ampliando riscos de desmatamento, conflitos fundiários e impactos aos ecossistemas amazônicos.
Posicionamento
O riosdenoticias.com.br entrou em contato com o senador Omar Aziz e com o prefeito de Tapauá, Gamaliel Andrade, para obter posicionamento sobre o caso e aguarda resposta. O espaço segue aberto para manifestações.






