Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Alunos do anexo da Escola Estadual Ayrton Senna, localizado no bairro Santa Etelvina, zona Norte de Manaus, foram liberados às 9h da manhã na terça-feira, 28/7, após enfrentarem mais um dia de calor intenso em salas sem climatização e a suspensão da merenda escolar por falta de gás de cozinha.
A situação provocou um protesto em frente à unidade, reunindo pais, estudantes e representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), que denunciam problemas estruturais persistentes e cobram uma resposta urgente da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc).
De acordo com testemunhas e alunos, metade das salas de aula do anexo funciona sem aparelhos de ar-condicionado desde o início do ano. A situação tem obrigado estudantes e professores a permanecerem em ambientes com temperaturas elevadas, agravadas pelo período mais quente do verão amazônico.
Além da falta de climatização, a unidade também enfrenta a ausência de gás de cozinha, o que impossibilitou o preparo da merenda escolar. Sem alimentação para os estudantes, a direção optou por encerrar as atividades ainda durante a manhã.
Pais e professores afirmam que os problemas já foram comunicados diversas vezes à Seduc. No entanto, até o momento, nenhuma solução definitiva foi apresentada.
Sindicato afirma que problema afeta diversas escolas da rede estadual
Durante o protesto, a diretora do Sinteam, Vanessa Antunes, afirmou que a situação encontrada no anexo da Escola Estadual Ayrton Senna não é um caso isolado, mas um reflexo das dificuldades enfrentadas por diversas unidades da rede estadual de ensino em Manaus.
“Mais uma vez, o sindicato está aqui presente numa escola. Recebemos a denúncia do anexo Ayrton Senna, onde, desde o início do ano, metade das salas de aula está sem ar-condicionado. E não só isso: também há falta de merenda e de gás”, destacou.
Segundo a representante, a ausência desses serviços compromete diretamente o funcionamento da escola e prejudica o direito dos estudantes à aprendizagem. Além disso, Vanessa Antunes ressaltou que a interrupção das aulas ocorreu porque a unidade não conseguiu oferecer alimentação aos alunos.
“Hoje, às 9 horas da manhã, a escola teve que liberar os alunos porque, novamente, não havia merenda”, relatou.
Falta de merenda obrigou escola a dispensar estudantes
Vanessa afirmou que a repetição desse tipo de situação evidencia falhas na gestão da infraestrutura escolar e prejudica, principalmente, estudantes que dependem da alimentação oferecida pela rede pública.
Durante o ato, a dirigente sindical lembrou que os recursos destinados à alimentação escolar possuem financiamento garantido e questionou a falta de abastecimento da unidade.
“Temos que lembrar, a todo momento, que a verba para merenda e gás é uma verba garantida pelo Governo Federal. Então, não há motivo para faltar. O Governo do Estado tem que se responsabilizar por cada vez que libera um aluno mais cedo da escola por falta de merenda, por falta de climatização e por falta de gás”, afirmou.
Rendimento escolar e órgãos de fiscalização
De acordo com relatos de familiares e servidores repassados ao Sinteam, as salas sem climatização concentram entre 35 e 38 alunos por turma. Os estudantes enfrentam dificuldades devido às altas temperaturas registradas nas últimas semanas em Manaus.
Pais também relatam que alunos têm apresentado indisposição durante as aulas e afirmam que estudantes com deficiência são ainda mais afetados pelas condições do ambiente escolar.
Durante o protesto, os pais organizaram um abaixo-assinado exigindo providências da Seduc para restabelecer as condições mínimas de funcionamento da escola.
O Sinteam informou que encaminhará representações ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) para que sejam apuradas possíveis violações ao direito à educação dos estudantes e às condições de trabalho dos profissionais da unidade.
Segundo o sindicato, o problema enfrentado no anexo da Escola Estadual Ayrton Senna reflete uma realidade vivida por outras escolas da rede estadual, que também enfrentam dificuldades relacionadas à climatização, à manutenção predial e ao fornecimento de insumos básicos.
Resposta da SEDUC
Em nota enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) informa que já executa, desde o dia 27 de julho, a troca dos aparelhos de ar-condicionado do anexo da Escola Estadual Ayrton Senna, onde ao todo serão substituídas seis máquinas na unidade de ensino.
A secretaria relata que segue com um cronograma rotineiro de serviço de manutenção de aparelhos de ar-condicionado, tanto na capital quanto no interior.
Além disso, a gestão ressalta que os condicionadores de ar novos já se encontram nas escolas e até o término do mês de agosto, serão substituídos os aparelhos de 35 unidades de ensino, em todas as zonas da cidade.






