Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A recepcionista Marcella Nascimento Pinto, 34 anos, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) no último dia 7 de abril, denunciando o advogado Francisco Charles Garcia Júnior pelos crimes de estupro e ameaça.
Charles é suspeito de cometer os abusos no escritório de advocacia Coimbra Garcia, localizado no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus, onde a vítima trabalhava como recepcionista há oito meses.
Segundo o relato da vítima ao boletim de ocorrência, os abusos ocorreram em quatro ocasiões distintas entre fevereiro de 2024 e abril de 2025.
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No quarto e último episódio, Marcella afirma que foi levar um suco para o advogado quando foi puxada pelo braço pelo mesmo, que estava nu e com o rosto coberto por um “pó branco”, ele trancou a porta automática e a obrigou a praticar sexo oral.
Segundo o boletim, ele ejaculou em seu rosto e ordenou que ela se lavasse antes de sair. “Lava o rosto, engole o choro, só vai descer quando passar”, teria dito o advogado, de acordo com a vítima.
Marcella também relatou que Charles mantinha dois revólveres em sua mesa e que ela temia por sua vida. “Todas as vezes que eu subia, eu tinha medo de ele me matar”, declarou Marcella em coletiva de imprensa após realizar a denúncia.
A vítima relatou ainda que o advogado a monitorava por câmeras no escritório e a ameaçava, citando sua influência junto a desembargadores e delegados.
A situação só veio à tona após uma colega de trabalho, identificada como Nágila, ter contatado Marcella no dia 29 de março de 2025, afirmando que iria denunciar o advogado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por assédio moral. Foi então que Marcella decidiu registrar a ocorrência.
Além dos abusos, a vítima afirmou que o advogado a chamava de “incompetente” e fazia comentários como “por isso eu não gosto de crente” na frente de outros funcionários. Ela também revelou que Charles Garcia fazia uso de medicamentos para depressão e possivelmente de drogas ilícitas, devido ao estado alterado em que se encontrava durante os abusos.
A delegacia solicitou ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) medidas protetivas de urgência, incluindo a proibição de aproximação e contato do suspeito com a vítima e testemunhas. A advogada de Marcella, Dra. Adriane Magalhães, afirmou que as autoridades estão aguardando a citação de Charles para dar prosseguimento ao caso.
Em nota pública divulgada no dia 16 de abril, Francisco Charles Garcia Júnior negou as acusações e afirmou ser vítima de extorsão. O advogado acusou Dra. Adriane Magalhães de exigir R$ 500 mil para não divulgar os supostos crimes e de usar o caso para alavancar sua candidatura a uma vaga de desembargadora no TJAM.
“Não cedi à extorsão e não cederei à chantagista“, declarou Garcia Júnior, afirmando ter entregue à polícia gravações que comprovariam a tentativa de extorsão.
O caso segue em investigação pela DECCM, que apura as acusações de estupro e ameaças, enquanto a Polícia Civil também investiga a denúncia de extorsão feita pelo advogado.






