Júlio Gadelha e Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Novas denúncias de assédio sexual envolvendo o advogado Francisco Charles Garcia vieram a público nesta semana. Ele já responde a outra acusação, de tentativa de estupro, feita pela recepcionista Marcella Nascimento Pinto, que registrou boletim de ocorrência no dia 7 de abril.
Charles é acusado de praticar os abusos no escritório de advocacia Coimbra Garcia, localizado no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus.
Em um dos novos desdobramentos do caso envolvendo Charles, a advogada Adriane Magalhães — responsável pela defesa de Marcella — divulgou o depoimento anônimo de uma ex-recepcionista que também afirma ter sido assediada pelo advogado quando trabalhava no local.
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Segundo o relato da nova denunciante, o caso ocorreu anos atrás, quando ela tinha 19 anos e foi contratada pela esposa de Charles, que também é sócia no escritório.
A mulher conta que o advogado se aproveitava da ausência da esposa para chamá-la até sua sala, com o pretexto de arrumar o ambiente, ocasião em que passava a fazer insinuações e brincadeiras de cunho sexual.
A ex-funcionária afirma ter sido vítima de assédio sexual durante um desses episódios. De acordo com a denunciante, ela chegou na sala e começou “a ouvir sons de gemidos sexuais no notebook dele” e questionou o mesmo, que então virou para ela “com o pênis ereto pro lado de fora, segurando com as duas mãos”.
Assustada, ela diz que saiu da sala e pediu demissão logo em seguida, sem revelar à época o verdadeiro motivo à esposa do advogado. A ex-recepcionista afirma que a denúncia de Marcella a motivou a contar sua história.
Outra denúncia
Outra denúncia aponta que o homem tentou se aproveitar de uma jovem que o procurou em busca de apoio jurídico. Em áudios atribuídos à jovem, e confirmados pela advogada da vítima, Adriane Magalhães ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a jovem relata que conheceu o advogado há quatro anos por acaso, através das redes sociais.
Segundo a jovem, na época, ela enfrentava uma situação delicada envolvendo seu pai e publicou um pedido de ajuda jurídica em seu perfil. O advogado, que já a seguia, entrou em contato se oferecendo para ajudá-la. No entanto, com o passar dos dias, ele começou a enviar mensagens com frequência, tentando se aproximar de forma invasiva.
Conforme os áudios, a mulher relata que Francisco Charles voltou a enviar mensagens perguntando sobre o caso envolvendo seu pai. Ela respondeu que outro advogado amigo estava tentando resolver a situação, mas que o processo estava demorando. Foi então que Francisco a convidou para ir ao seu escritório, sob o pretexto de “dar uma luz” no caso.
Durante o trajeto, o advogado afirmou que precisava tomar um banho antes de um compromisso muito importante e, em seguida, virou em direção a um motel próximo.
“Comecei a entrar em desespero, mas ao mesmo tempo, tentei ser racional. Pensei: ‘Ele tem uma arma, não sei até onde esse cara pode ir, então preciso me controlar’. Quando chegamos ao motel, ele disse que só iria tomar um banho. Na minha cabeça, eu só pensava: ‘Acho que ele está drogado'”, relatou.
“Nessa ocasião, após o banho, ele já veio com tudo pra cima de mim, tentou me agarrar. Pediu para eu fazer sexo oral, eu falei não, não, não gosto dessas coisas. Ele falou: ‘poxa, tu lembra que eu mandei uma foto pra minha esposa? Minha esposa adora quando eu como outra pessoa'”, disse.
A vítima afirmou que estava desesperada e pegou o celular para pedir um Uber. “Quando eu estava descendo, ele me puxou de volta para o quarto, empurrando minha cabeça para baixo e dizendo que eu não sairia sem ele ‘provar minha boca por baixo’. Ele então cheirou o pó e me pediu para dar um beijo. Eu empurrei ele e pedi para parar. Corri e entrei no carro“, relatou a vítima, que não teve coragem para denunciar o caso, na época.
O caso Marcella
A ex-funcionária do advogado e primeira denunciante de casos de assédio contra ele, Marcella relata que foi levar um suco ao ele quando foi puxada pelo braço, momento em que ele estaria nu e com o rosto coberto por um “pó branco”. Segundo ela, Charles trancou a porta automática e a obrigou a praticar sexo oral.
Conforme o boletim de ocorrência, ele ejaculou em seu rosto e ordenou que se lavasse antes de sair. “Lava o rosto, engole o choro, só vai descer quando passar”, teria dito o advogado, de acordo com a vítima.
Marcella também afirmou que Charles mantinha dois revólveres em sua mesa e que temia por sua vida. “Todas as vezes que eu subia, eu tinha medo de ele me matar”, declarou durante uma coletiva de imprensa.
Ela ainda relatou que era monitorada por câmeras instaladas no escritório e que o advogado a ameaçava, citando sua influência com desembargadores e delegados.
Defesa e posicionamento
Em nota divulgada no dia 16 de abril, Francisco Charles Garcia Júnior negou todas as acusações, alegando ser vítima de extorsão. O advogado acusou a Dra. Adriane Magalhães de tentar extorqui-lo em R$ 500 mil para não divulgar os supostos crimes e de usar o caso para promover sua candidatura a uma vaga de desembargadora no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
“Não cedi à extorsão e não cederei à chantagista“, afirmou Charles, que diz ter entregado à polícia gravações que comprovariam a tentativa de extorsão.
Sobre a nova denúncia, o advogado foi procurado pela reportagem, mas até o fechamento desta matéria não respondeu aos questionamentos e ainda não se pronunciou oficialmente sobre os novos casos.






