Redação Rios
BRASIL – A volta de Abel Braga ao comando do Internacional, após ter anunciado aposentadoria como treinador, começou marcada por uma declaração homofóbica durante sua apresentação.
Ao relembrar uma bronca de D’Alessandro em um treino, o técnico usou a expressão “parece time de viado” para se referir ao uso de camisas rosas, comentário que rapidamente gerou forte reação nas redes sociais e entre torcedores.
Horas depois, diante da repercussão negativa, Abel publicou uma retratação no Instagram. Ele afirmou reconhecer que fez uma “colocação ruim” e destacou que “cores não definem gêneros”, reforçando que o clube precisa de “paz e trabalho” para reagir na reta final do Brasileirão. O episódio, no entanto, acabou ofuscando a tentativa do Inter de transformar o retorno do ídolo em um movimento de mobilização contra o rebaixamento.
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Aos 73 anos, Abel aceitou assumir a equipe sem remuneração e com contrato válido apenas para as duas últimas rodadas. A missão é difícil: o Colorado entrou no Z-4 no sábado, soma 41 pontos e precisa vencer São Paulo e Red Bull Bragantino para permanecer na Série A.
O treinador reconheceu que o desafio envolve, sobretudo, recuperar o aspecto emocional do grupo. “Acredito nesse grupo. Uma equipe que faz o primeiro tempo que fizeram contra o Santos não pode estar nessa situação”, afirmou.
O retorno também reacendeu um sentimento de dívida pessoal. Abel lembrou que, anos atrás, recusou assumir o Inter em cenário semelhante por acreditar que o clube seria rebaixado, decisão que, segundo ele, deixou uma “marca no coração”. Agora, diz ver a chance de corrigir o que o incomodava. “Vim porque acredito. Não posso prometer, mas tenho convicção de que não vamos cair”, declarou ao elenco.
O presidente Alessandro Barcellos destacou o peso simbólico da escolha e revelou que Abel não apenas aceitou o convite rapidamente, como insistiu em trabalhar sem salário. Segundo o dirigente, o contato inicial partiu de D’Alessandro e evoluiu rapidamente para um acerto definitivo, atitude que, na avaliação da diretoria, “engrandece” a história do treinador no clube.
Com apenas dois treinos antes da partida decisiva contra o São Paulo, no Morumbis, Abel tenta reorganizar o time e conter a crise institucional ampliada por sua própria declaração. A rodada final será contra o Bragantino, no Beira-Rio, em jogo que pode selar a permanência ou a queda do Inter.
*Com informações da Agência Estado












