Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A decisão do governador Roberto Cidade (União) de remanejar R$ 100 milhões do orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para a Fundação AmazonPrev gerou questionamentos sobre a condução dos recursos públicos no estado.
Durante participação no Jornal da Rios, da Rádio Rios FM 95,7, nesta quinta-feira, 11/6, o analista político Diogo da Luz criticou a medida e afirmou que o governo optou por retirar recursos de áreas consideradas essenciais para compensar dificuldades enfrentadas pelo fundo previdenciário.
“A solução é muito simples. Ora, tire-se dos universitários. Não perguntem aos universitários, apenas tire deles. Afinal, qual é a importância que tem a Universidade do Amazonas? Qual é a importância que têm R$ 100 milhões para eles?”, declarou.

Críticas à situação da AmazonPrev
Ao analisar a medida, Diogo relacionou o remanejamento às perdas financeiras envolvendo a AmazonPrev, que é alvo de investigação da Polícia Federal por aplicações ligadas ao Banco Master. O comentarista questionou a falta de explicações públicas para a retirada dos recursos da universidade.
“Imaginava-se que demoraria um pouco mais, mas já neste ano falta dinheiro para pagar os aposentados. Não sobrou nem para o dia a dia, de tanto que se desperdiçou”, afirmou.
Segundo ele, os prejuízos decorrentes das operações financeiras acabaram gerando impactos em outras áreas da administração estadual.
“Era visível que estavam se metendo numa enrascada. Ou melhor, estavam se saindo muito bem, mas colocando a AmazonPrev numa enrascada”, destacou.
‘Disseram que não havia nada de errado’
Diogo também relembrou declarações de autoridades e representantes do governo que, segundo ele, afirmavam que não haveria prejuízos relacionados às aplicações financeiras realizadas pelo fundo previdenciário.
“Lembro muito bem dessa fala, de que não havia nada de errado, nada demais, tudo normal. Só quem era muito ingênuo ou mal-intencionado podia acreditar que fosse verdade. Estava na cara que havia alguma coisa errada”, afirmou.
Para o comentarista, os riscos das operações já eram perceptíveis diante das condições oferecidas pelo Banco Master.
Questionamentos sobre o papel de Roberto Cidade
Durante a análise, Diogo da Luz ressaltou que Roberto Cidade ocupava a presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) no período em que ocorreram os investimentos atualmente investigados. Na avaliação do comentarista, isso dificulta qualquer alegação de desconhecimento sobre o tema.
“Roberto Cidade pode até dizer que não estava no comando do governo quando isso aconteceu. Não estava no comando do governo, mas estava no comando da Assembleia Legislativa do Amazonas”, disse.
Outro ponto levantado foi a forma como o remanejamento foi realizado. Embora a legislação permita alterações orçamentárias por decreto em determinadas situações, Diogo defendeu que uma decisão dessa magnitude deveria ser acompanhada de maior transparência.
“Me parece ainda mais grave um governador em exercício transferir recursos previstos em orçamento, devidamente aprovados, sem dar satisfações à sociedade. Isso, no mínimo, exigiria um debate com a própria Assembleia Legislativa. Um aviso à população explicando que houve um problema e por que esse dinheiro precisou ser transferido”, declarou.
O comentarista também afirmou que os sinais de risco envolvendo o Banco Master já eram conhecidos publicamente antes da atual crise.
“Se muita gente fora da estrutura do governo sabia dos riscos, como quem estava no comando da Assembleia Legislativa poderia alegar desconhecimento?”, questionou.
Recursos saíram de programas estratégicos da UEA
Os R$ 100 milhões transferidos para a AmazonPrev foram retirados de ações previstas para a Universidade do Estado do Amazonas. As dotações anuladas atingem áreas ligadas à gestão administrativa, interiorização do ensino superior, assistência estudantil, extensão universitária e atendimento à comunidade acadêmica.
A medida ocorre em meio ao debate sobre a situação financeira da AmazonPrev e amplia a pressão por esclarecimentos do governo estadual sobre os impactos do remanejamento para a universidade e para os milhares de estudantes atendidos pela instituição em Manaus e no interior do Amazonas.






