Letícia Rolim e Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os moradores da rua 13 de maio, no bairro Colônia Oliveira Machado, zona Sul da capital, têm denunciado a precária infraestrutura do local, a qual impacta negativamente a qualidade de vida da comunidade, principalmente em dias chuvosos pela ausência do saneamento básico.
De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), apenas 26% da população manauara, o equivalente a 526 mil habitantes, dispõe de acesso ao esgoto. O índice de coleta e tratamento de esgoto na cidade é de apenas 12,6%, igualmente.
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A equipe de reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS visitou a área para ouvir as queixas dos moradores, os quais destacaram os diversos buracos na via e os constantes alagamentos como as principais questões que devem ser enfrentadas.
Raimundo Teixeira, de 75 anos, residente há 37 anos no bairro, compartilha as adversidades enfrentadas durante os períodos chuvosos.
“Nossa situação é triste! Quando chove a gente já fica com medo, pois alaga tudo. Eu queria que o prefeito ou o governador olhasse por nós porque aqui é um sofrimento. Minha mulher é doente e não pode ficar andando, é muito sacrifício!”, disse o morador.
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O idoso revelou que foi morar no bairro em busca de melhorias, visto que sofria com os mesmos problemas em sua antiga casa.
“Fiz uma mureta para proteger, porque a água entrava dentro de casa e molhava tudo. Eu vim morar pra cá pois a minha antiga casa também alagava, e quando cheguei aqui alagava tudo também”, relatou Raimundo.
Promessas
Há anos, seu Raimundo ouve promessas de que o local será transformado em um Prosamim. A esperança e a paciência se misturam enquanto ele aguarda por melhorias que possam trazer mais qualidade de vida para a comunidade. No entanto, o morador também ressalta que esse compromisso é lembrado apenas em época de campanha.
“Faz muito tempo que prometem. Na época de política, a promessa sempre aparece e nunca fazem nada!”, lamentou Raimundo.
Prejuízos
A técnica jurídica Jordana Maciel, de 26 anos, ressalta os prejuízos causados pelas chuvas. “A situação é essa que vocês podem ver. Além dos buracos, quando chove fica pior ainda. Alaga isso tudinho e traz prejuízo para o comércio. A gente acaba perdendo mercadoria. Isso são necessidades básicas para os cidadãos, aqui nós somos praticamente esquecidos”.

“Já tivemos muitos prejuízos, quando alaga aqui a gente tem que levantar tudo, é uma correria. A água fica muito alta, na altura dos nossos joelhos”, diz Jordana Maciel.
O comerciante Carlos Alberto, 54, compartilha os danos que os moradores sofrem com os buracos. “O prejuízo aqui é frequente por conta dos buracos, quando fica noite o pessoal não enxerga direito no escuro e acaba caindo no buraco, ficando no prego”.
Criadouro de dengue
O açougueiro Antônio Bulcão, de 65 anos, relata a angústia vivida quando chove em Manaus. “Aqui é muito sofrimento quando chove! Dá um metro d’água em cima dessa rua, tenho até filmado aqui do meu telefone a correnteza. Para acabar de completar, o pessoal (Águas de Manaus) vieram ajeitar uns canos de água, cortaram, e quando a correnteza veio, arrebentou todo esse asfalto e tá esse buraco aí. Está criando uns ‘carapanãzinhos’ para não deixar o cara dormir. Os carapanãs da dengue, o mosquito tá nessa água podre, pode olhar que você vê”, denuncia.


Além do transtorno da enchente, quem vive no local observa a formação de um criadouro da dengue. A comunidade faz um apelo para a empresa Águas de Manaus para que solucione os problemas, pois segundo Antônio Bulcão, são os próprios funcionários da empresa que fazem a obra e deixam inacabada.
Lixo e fedor do bueiro
“Dia desses eles vieram tapar o bueiro. Eu disse pra eles ‘joga um materialzinho pra tapar os buracos que vocês fizeram’, daí responderam ‘não, só se você ligar e fazer um pedido (para a empresa)’. Tá legal, bonitão! Vou já mesmo ligar pra lá. Tá com o material na mão e não pode tapar, é um negócio incrível”, relata Bulcão indignado com a situação.
A comerciante Ameire Araújo de Souza, de 66 anos, reclama da calamidade na rua 13 de maio, ela afirma que os moradores sofrem com o fedor que vem do bueiro. Segundo a moradora, o local tem muito lixo, então, quando chove, o entulho acumula e transborda, transformando-se em um verdadeiro caos.


“Aqui, mana, só Jesus na causa! Eles chegam, jogam asfalto, mas tem que tirar essa drenagem que já não presta mais. Está tudo entupido! Tem que botar outra para prestar e durar mais anos. Tem que fazer batente para a água não entrar”, explica a comerciante.
Respostas
A Águas de Manaus informou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS que “enviará equipe para verificar a situação relatada e corrigir pendências que sejam de responsabilidade da concessionária”.
Em respostas à REPORTAGEM, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que “o Distrito de Obras trabalha nas ruas paralelas da rua 13 de Maio no bairro Colônia Oliveira Machado, com a recuperação das redes de drenagem e limpeza e obstrução das caixas que deságuam na rua 13 de Maio, por ter sido construída em cima de uma galeria e ser responsável em receber toda a água pluvial”.
Em nota, o órgão afirma, ainda, que “os serviços estão sendo realizados por fases, para não causar danos aos moradores, e assim, que for finalizado os trabalhos nas ruas paralelas, as equipes irão trabalhar por último na 13 de Maio que precisará de uma atenção redobrada”, finalizou.






