Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O comércio brasileiro espera um faturamento total de R$ 3,44 bilhões em vendas relacionadas à Páscoa. Isso representa um crescimento de 4,5% na comparação com o ano passado, já descontada a inflação.
A estimativa foi divulgada nessa quarta-feira ,13/3, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e abrange itens característicos como chocolate, bacalhau e vinhos.

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A Páscoa é a sexta data comemorativa mais relevante para o comércio. Se confirmada a expectativa, será o quarto ano seguido de alta nas vendas.
Conforme o levantamento da CNC, a Páscoa deste ano vem acompanhada de grande alta de importação de itens típicos do período. As compras externas de chocolate devem alcançar 3,35 mil toneladas, avanço de 21,4% em relação a 2023.
No caso do bacalhau, deve haver um crescimento mais significativo, 61,9%. São 7,12 mil toneladas, a maior importação registrada desde o início do levantamento, em 1997.
A pesquisa da CNC aponta que os preços dos produtos e serviços típicos estarão 5,2% mais caros este ano. Essa “inflação da Páscoa” é superior à inflação oficial acumulada no país em 12 meses, 4,5%.
A lista de itens inclui os produtos mais caros este ano, que são chocolate, pescado, bacalhau, bolos, azeite de oliva, refrigerante, vinho e alimentação fora de casa. O grande vilão é o azeite de oliva, que ficou 45,7% mais caro em relação à última Páscoa.

O chef. Dedé Parente, sócio fundador do grupo Dedé, diz que a alta dos principais produtos de Páscoa como o vinho, o azeite, o bacalhau e o chocolate se deve a fatores que devem ser levados em consideração.
Bacalhau e a guerra na Ucrânia
Acostumado a fazer todos os anos o tradicional corte do bacalhau na capital amazonense, o chef. Dedé Parente explicou ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS que a guerra entre Rússia e Ucrânia afetou o preço do bacalhau.
“É que 50% do bacalhau pescado no mundo é do território da Rússia. No ano passado os barcos não saíram para a pesca e esse ano vem uma espécie de boicote aos produtos da Rússia, isso levou ao aumento significativo do preço do bacalhau. Teve corte que subiu em 30%” pontuou.
O empresário conta sobre um outro fenômeno, o qual ocorre de tempos em tempos, em relação a pesca do bacalhau. Segundo Dedé a legislação diminuiu a cota de peixe pescado naquele país, essa redução de cota, desde em 2021 e a não saída dos barcos da Rússia com os peixes [bacalhau] contribuíram para o aumento do valor do produto.
Problemas climáticos
Em relação ao aumento do preço do vinho e do azeite, o empresário explicou que está ligado aos problemas climático na Europa, principalmente Portugal.
“Ano passado houve um verão escaldante na Europa, principalmente em Portugal e na Espanha (maior produtor de azeite) – problema seríssimo com a falta de chuva, altas temperaturas e para completar muitos incêndios, isso reduziu a produção de uvas e azeitonas”, destacou o chef.
Já em relação ao chocolate, considerado o carro chefe da páscoa, este teve aumento de preço neste ano. Segundo o empresário, a produção da amêndoa do cacau não vem crescendo no ritmo do consumo, ou seja a demanda por chocolate é maior do que a oferta.
“A escassez do produto eleva o preço, então no meu ponto de vista, são esses fatores que levam aos aumentos destes produtos que são tradicionalmente muito consumidos na Páscoa”, ponderou.
Estratégias para atrair o consumidor
Apesar do aumento no preço dos produtos devido a guerra na Ucrânia, aos fatores climáticos globais e até a pouca oferta, o empresário Dedé Parente, em conversa ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, disse que uma das estratégias do grupo é não repassar o aumento para o consumidor.
“Vamos diminuir a nossa margem (lucro) para não ter o impacto de repassar os grandes aumentos que tiveram nos produtos para nossos cliente. Desta forma esperamos uma venda pelo menos 3% maior de bacalhau e do azeite, do que ano passado, nas nossas lojas e no nosso atacado também. Essa é a nossa expectativa ” explicou Dedé.
Diminuir a margem e facilitar a forma de pagamento para o consumidor através do parcelamento são estratégias mercadologias para que o consumidor compre mais nesta Páscoa.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com o Procon Amazonas para saber sobre a fiscalização no comércio em relação aos preços dos produtos típicos da páscoa, e o órgão informou que está fazendo um levamento com o setor responsável e, em breve irá divulgar.






