Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A equipe de reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS esteve em um abrigo localizado no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste da cidade, para acompanhar à denúncias feitas por pacientes que vieram do município de Guajará, no interior do Amazonas, para realizar tratamentos médicos na capital.
Mãe de quatro filhos, Janaíra Souza relatou as dificuldades enfrentadas desde a saída do município para realizar o acompanhamento médico das crianças, devido à demora da Secretaria de Saúde de Guajará em organizar o deslocamento para outras regiões.
“O hospital pede para os meus filhos voltarem de três em três meses, e a secretaria do município demora. Os meus filhos perdem o retorno, perdem a medicação. O que falta, né?”, questionou Janaíra.
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Durante a vista, a REPORTAGEM foi surpreendida ao ser filmada pela responsável da casa de apoio, Francisca Campos, que informou que as imagens seriam repassadas ao secretário de Saúde de Guajará.
O cinegrafista e o fotógrafo foram impedidos de mostrar os compartimentos internos da casa, onde os pacientes relataram haver uma precariedade da estrutura.
Coincidência ou não, no momento em que a EQUIPE RIOS estava ouvindo as denúncias dos pacientes, Francisca informou que recebeu o valor destinado à alimentação, que até então não tinha previsão para ser recebido. Também foi pago um exame que Janaíra estava aguardando para sua filha há cerca de um ano.
“Nessa situação, eu fiz o orçamento, passei para o secretário e ele acabou de liberar. Não sei se foi com a vinda de vocês ou não, mas foi pago a ressonância dela, como de outros pacientes. O exame de tomografia de outro paciente também foi pago. Ele precisava desses exames para uma viagem que fará dia 27 para Fortaleza”, explicou Francisca Campos.
Liminar judicial
Apesar de uma liminar judicial estabelecer que o município de Guajará deve fornecer todo o suporte necessário, incluindo deslocamento, alimentação, hospedagem e medicação durante todo o tratamento dos filhos, a realidade é outra.
“Estou ‘pelejando’ com meu filho ainda. Eu fui no hospital e eles disseram que o meu filho tinha que aguardar nove meses para poder conseguir uma vaga, porque tinha dado como abandono de tratamento, justamente porque não recebi apoio para as consultas”, disse Janaína Souza, que é irmã de Janaíra e é mãe de duas crianças.

Demanda negligenciadas
O secretário municipal de Saúde de Guajará, Braz Melo, é acusado de ignorar os pacientes, dificultando repasses e provocando atrasos no transporte para outras regiões, o que compromete o acompanhamento médico necessário.

Lázaro do Nascimento compartilha sua experiência pessoal, ressaltando as consequências do descaso. O retorno dele ao hospital foi atrasado, prejudicando seu tratamento.
“Meu retorno deveria ter sido em janeiro do ano passado. Só recebi o retorno em dezembro, dia 13. Isso está dificultando muito meu tratamento. Tenho um problema sério na coluna e já passei por bloqueios e procedimentos cirúrgicos. O médico afirmou que não poderia atrasar as consultas ou nenhum tipo de tratamento”, lamentou Lázaro.
Condições precárias

Os pacientes do município de Guajará, em tratamento médico em Manaus, relatam viver em condições precárias devido à falta de ajuda de custo que deveria ser fornecida pelo município durante todo o tratamento.
Na casa de apoio disponibilizada pela Prefeitura de Guajará, destinada aos pacientes em Tratamento Fora de Domicílio (TFD), cerca de 30 pessoas, incluindo crianças, enfrentam dificuldades.
De acordo com as denúncias, os pacientes enfrentam escassez de recursos para alimentação e deficiências na estrutura da casa de apoio, como falta de colchões.
“A minha filha hoje não almoçou porque não tinha comida para ela. A minha filha não vai jantar porque não tem comida. Amanhã, não tem café da manhã para ela, não tem nada. Falei com a coordenadora, ela veio falar que eu que tinha que comprar comida para os meus filhos. Da onde? Que eu não tenho nenhuma renda para comprar. A renda que eu tenho é a minha bolsa família”, relatou Janaína Souza.

“Eu mando mensagem para o secretário de saúde do município, mando para o subsecretário, que é o Tiago, ele não me responde, fica online, mas não dá resposta”, desabafou Janaína.
Desafios no transporte
Joaquim de Melo, paciente transplantado de fígado, expôs as dificuldades enfrentadas no transporte de Guajará para Manaus para receber tratamento médico. Ele relatou uma série de problemas, como a falta de assistência.
“Eu sou paciente transplantado de fígado, já faço acompanhamento aqui há cinco anos, desde 2018. Desde então, eu venho tendo essa dificuldade em questão de transporte de Guajará para cá. Sempre temos que confrontar o secretário de saúde com passagem para poder vir fazer tratamento de saúde”, contou.
Justificativas
Francisca Campos, coordenadora da casa de apoio, justificou a falta ocasional de alimentação devido à alta demanda de pacientes, mas afirmou que há reposição semanal. Em relação ao transporte, ela assegura que há um carro disponível para atender a demanda.
“Para eu responder qualquer coisa aqui, tenho que ser tudo com notas fiscais, porque eu presto conta com a secretaria. A alimentação dos pacientes e acompanhantes que a gente compra, a gente presta conta com a secretaria. Questão de remédio, a gente só pode comprar em farmácias que emitem nota, e nem todas as farmácias querem ter esse trabalho de emitir”, disse Francisca.
Sem resposta
A equipe de reportagem tentou contatar a Prefeitura de Guajará buscando um posicionamento sobre as denúncias feitas pelos pacientes que estão na casa de apoio em Manaus, no entanto, até o fechamento da matéria não obteve resposta.






