Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “O presidente se entusiasmou, isso não é a primeira vez que ele faz, né? “, disse o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, na tarde desta segunda-feira, 19/2, em entrevista à Globo News. A declaração desastrosa do presidente Lula se deu nesse domingo, 18/2, em entrevista coletiva na Etiópia.
Na ocasião, Lula fez um paralelo entre a morte de palestinos com o extermínio de judeus feito pelo líder da Alemanha Nazista, Adolf Hitler. Durante o regime nazista, que ocorreu entre 1933 e 1945, em que 6 milhões de judeus foram mortos.
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“O presidente se entusiasmou, isso não é a primeira vez que ele faz, né? E, ao se entusiasmar, ultrapassou limites e criou um cenário de uma confusão, hoje, que está ocupando o dia todo de vocês (jornalistas), é um erro esse caminho. Talvez ampliar essa questão seja um segundo erro, né?” disse Lottenberg.
Para o presidente da Conib, quando Israel reage frente aos ataques terroristas do Hamas, tenta sensibilizar, explicar as razões pelas quais Israel legitimamente se defende alguns interpretam isso como sendo desproporcional.
Sobre a reação da própria Connib em relação a declaração do presidente Lula e do governo de Israel ao declarar o presidente brasileiro como ‘persona não grata’ naquele país, o presidente da Confederação Israelita do Brasil disse:
“Ficamos muito surpresos. Eu visitei o Museu do Holocausto junto com o presidente Lula. O presidente Lula ,evidentemente, quer dizer, muito sensível a tudo aquilo que aconteceu em relação ao Holocausto, portanto, quando ele compara coisas que são incomparáveis, a gente percebe que isso é feito de uma forma, vamos dizer, de improviso. Nós ficamos decepcionados”.
Pedido de desculpa formal
O Jornalista André Trigueiro, da Globo News, questionou:
Quando você entende que o presidente deveria se reposicionar, é aceitar a exigência do governo de Israel num pedido formal de desculpas, o que seria exatamente esse esforço para baixar a temperatura?
“Olha, eu acho que pedindo desculpas formais. Para mim, quando ele faz essa comparação, ele não está ofendendo o governo de Israel. Ele está ofendendo todos os judeus. Ele está ofendendo todas as minorias. Fica ofendendo, digo mais, todos aqueles que conhecem. Conhece a história, todos que a conhecem e acompanham as questões do holocausto. Eu acho que não custa nada ele eventualmente receber a comunidade judaica brasileira e explicar que talvez tenha se excedido e que a declaração não foi adequada”, opinou Lottenberg
Comparação ao Holocausto é perverso
Por meio de nota, o presidente do Comitê Israelita do Amazonas (CIAM), David Vidal Israel, também se posicionou, nesta segunda-feira, sobre a declaração infeliz do presidente Lula.
Veja o que disse o presidente do CIAM
Repudiamos a declaração feita pelo presidente da República, banalizando o Holocausto, esta fala foi desastrosa, preconceituosa e pode disseminar o ódio e o antissemitismo.
O Holocausto, arquitetado por Hitler, teve como objetivo aniquilar o povo judeu, utilizando meios industriais para promover o “abate” de pessoas pelo simples fato de serem judeus. As mortes de judeus no Holocausto não foram efeitos colaterais de uma guerra. Comparar o que está acontecendo em Gaza ao Holocausto é perverso e ofensivo.
Israel está em estado de guerra contra o Hamas, um grupo terrorista que administra parte do território palestino em Gaza. É importante lembrar que Israel tenta proteger os civis de Gaza, avisando sobre os locais onde fará operações, enquanto o Hamas expõe seus cidadãos ao risco, usando-os como escudos para atingir seu projeto de poder na região. Esse projeto prevê em seus estatutos a aniquilação do estado de Israel .
Os atos cometidos pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 não visavam proteger ou melhorar a vida dos habitantes de Gaza. Foram atos de barbárie gratuita, direcionados contra mulheres, crianças e idosos israelenses: degolando, queimando, esquartejando, estuprando, sequestrando e assassinando, claramente com o intuito de exterminar.






