Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A motorista de aplicativo Sthefanny Wilkens da Silva, de 33 anos, enfrenta uma batalha há três anos para matricular sua filha Sophia Valentina, de 8 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), em uma escola militar.
Após passar por todo o processo seletivo para a Escola Estadual Profª Eliana de Freitas Morais, o CMPM VII, situada no bairro Lagoa Azul, zona Norte da cidade, Sthefanny relata diversas dificuldades.
“Eu fiz entrega de documentos, fiz todo o procedimento. Quando fui passar pela entrevista, ela disse que as notas da miha filha estavam excelentes. Mas me deparei com uma mudança no comportamento da tenente Cíntia após revelar que minha filha é autista”, conta Sthefanny.
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Segundo a denunciante, a tenente questionou o motivo de não matricular a criança em uma escola especializada.
“Eu disse, tenente, não há esse, aquele ou outro tipo de criança, há crianças. Só que há crianças que precisam mais de um amparo e têm outras que não”.
Sthefanny relata que a tenente começou a colocar dificuldades e que se sentiu constrangida com o atendimento que teve. Após ser orientada a retornar em uma data específica para um despacho com a comandante, Sthefanny conta que foi tratada de forma desrespeitosa.
“Fui totalmente destratada. A comandante até evitou me atender”, diz ela. Ela disse para aguardar até o dia 19 de janeiro, para o despacho da coronel, da comandante e tal. Quando foi dia 15 eu retornei lá com a intenção de falar com a comandante pra conversar. Eu cheguei uma hora da tarde, me disseram que ela ia me atender. Mas eu vi elas duas passeando lá pelo corredor, e ela falou: Olha, ela aqui é a mãe da autista”, lembra.
A mãe da criança autista relata que foi ignorada. E que conseguiu falar com a responsável pela seleção depois de muita espera. No entanto, até o momento não conseguiu nenhuma posição da instituição de ensino.
“Depois disso a comandante foi desviando de mim. Já faltava dez minutos para as 5h da tarde, eu vi que o colégio ia fechar, e eu fui falar com a comandante e fui totalmente destratada. Me tratou de uma forma que nem cachorro é tratado”, lamenta.
Representações
Após passar por episódios de discriminação ao tentar matricular sua filha autista em uma escola militar, Sthefanny Wilkens decidiu buscar ajuda da Justiça.
“Estou entrando com um processo civil, sobre preconceito de PCD pois eu sou mãe, e nunca fui tão humilhada na minha vida”, afirma Sthefanny.
A mãe da menina Sophia realizou uma representação do ocorrido junto ao Ministério Público do Estado, assim como também no Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Infância e Juventude.
Além disso, Sthefanny recorreu à Promotoria de Justiça, buscando apoio para resolver o caso. No entanto, a resposta recebida indicou que as escolhas de alunos são integralmente responsabilidade da gestão da escola militar.
“Os critérios utilizados na seleção/escolhas dos alunos para a matrícula nas escolas administradas por gestão militar, ocorrem atendendo aos procedimentos estabelecidos e executados por aquelas unidades educacionais, sob a responsabilidade e coordenação do Comando da Polícia Militar”, diz trecho de documento do MPE.
A equipe do Portal RIOS DE NOTÍCIAS tentou contato com a Polícia Militar, responsável pelas escolas militares do Estado, e também com Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino do Amazonas (Seduc), mas até o fechamento desta matéria, não obteve resposta.
Sem resposta
O espaço segue aberto para posicionamento.






