Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A notícia do falecimento de Marcos da Silva Azevedo, carinhosamente conhecido como “Markinho”, na madrugada desta quinta-feira, 28/12, abalou a todos que acompanham o Festival de Parintins, principalmente o boi Caprichoso.
Markinho, reconhecido como a alma do Boi Caprichoso, era uma figura importante e desempenhou por muitos anos o papel de tripa do boi, sendo o responsável por dar vida e personalidade ao Touro Negro.
O presidente do Conselho de Artes do Caprichoso, Erick Nakanome, expressou pesar e reconhecimento pela perda do boi. “Ele deixa pra gente um legado imensurável como bonequeiro, brincante e como artista”.
“A gente hoje deixa um dos filhos mais importantes da história do boi Caprichoso. Mais de 30 anos como tripa do boi, acompanhou toda a jornada que a brincadeira fez, do salto do boi de rua, terreiro, boi de quintal, passando pela arena do bumbódromo e chegando ao status de patrimônio cultural do Brasil. Ele tem uma importância gigante pra gente, e é mais importante reconhecer a contribuição que ele trouxe ao Caprichoso”.
Erick ressaltou a importância de Marcos na história do boi, e que ele não será substituído.
“Nas evoluções, eu acho que de toda a história do festival, o Markinho é aquele que fazia com que a gente esquecesse de que o boi é um brinquedo, né?! Quando ele incorporava o boi, incorporava dentro da sua evolução, a gente esquecia que existia um ator ali dentro, um brincante dentro do boi. É como se o boi ganhasse vida e talvez aquela maneira de evoluir vai ficar apenas guardada na nossa memória, talvez ninguém consiga mais superá-lo”, lamentou Erick Nakanome.

Em 1990, Markinho assumiu oficialmente a posição de tripa do boi, dedicando mais de três décadas de sua vida à confecção do Touro Negro e à condução do item 10, conhecido como boi-bumbá evolução.
O legado de Markinho foi continuado por seu filho, que assumiu a missão de evoluir no item 10 a partir de 2017. A transmissão da responsabilidade para a próxima geração demonstrou a importância cultural e a tradição que Markinho representava para o Boi Caprichoso.
Sua habilidade em incorporar a essência do boi, transformando-o em uma expressão viva da cultura local, marcou gerações e contribuiu significativamente para o sucesso do Caprichoso.
“O boi de arena ele guarda algumas limitações que durante o ritual inteiro de brincadeira, dos ciclos da morte, do boi da fuga, até o seu nascimento pra ir pra arena, em todos os meses do ano existiam coisas que eram muito próprias do Caprichoso, muito próprias dele e que não chegavam na arena. Ele deixa pra gente um legado imensurável como bonequeiro, brincante e como artista”, disse Erick.
A despedida a Markinho foi marcada por homenagens e celebrações, relembrando não apenas sua habilidade artística, mas também a paixão e dedicação que dedicou à preservação da tradição cultural do Boi Caprichoso. Sua ausência deixa uma lacuna na festividade que, por décadas, contou com sua presença marcante.
“Então a gente tem um carinho especial pelos guardiões, que são de uma geração importante do boi. Tinha uma geração noventa, a mesma geração de Valdir Santana, de Daniela Assayag, das Marlessandras, de Arlindo Júnior, com nomes importantíssimos. Ele faz parte de uma constelação que pra gente é muito importante numa guinada histórica do festival”, concluiu.
Governo lamenta
O governo se manifestou oficialmente sobre a morte de Markinho, reconhecendo sua contribuição inestimável para a identidade cultural da cidade.
“Marquinho dedicava seu talento ao boi-bumbá Caprichoso desde 1986. Em 1990, passou a ser o Tripa do Boi, revolucionando a evolução do bumbá na arena do bumbódromo. Fazia questão também de confeccionar o Touro Negro de pano. Neste momento de grande consternação, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa manifesta seus sentimentos a todos os amigos e familiares de Marquinho, estendendo a solidariedade a toda a Nação Azul e Branca”, diz a nota.
*Com colaboração de Vívian Oliveira






