Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Diante da facilidade proporcionada pelas transferências bancárias instantâneas, uma prática criminosa tem se disseminado: o ‘Golpe do Pix’. Este método, apesar de rápido, abre brechas para fraudes que ameaçam tanto indivíduos quanto empresas.
Com 2.966 casos de estelionato na internet registrados em 2023, em Manaus, o golpe do Pix é um dos crimes mais comuns usado pelos criminosos, que se aproveitam da rapidez e facilidade das transações para enganar as pessoas e obter vantagens financeiras de forma ilícita.
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Um dos casos mais recentes, divulgado em vídeo que circulam na internet, destaca a alteração de valores por meio de aplicativos. Essa nova forma dificulta a identificação da veracidade das informações, permitindo que criminosos modifiquem valores e dados importantes nos comprovantes de transferência. Dessa forma, a pessoa acredita ter recebido o valor apresentado no comprovante, sem antes confirmar se caiu na conta.
O aumento constante dessas atividades online tem elevado a preocupação com a segurança na internet. Tanto cidadãos comuns quanto empresas agora enfrentam a necessidade de reforçar métodos e estratégias para prevenir crimes cibernéticos e proteger informações pessoais e importantes.
Esses golpes variam desde falsificação de comprovantes até o uso da identidade de terceiros, com golpistas se passando por conhecidos e solicitando dinheiro a amigos e familiares.
Tipos
A diversidade de crimes cibernéticos é vasta, com táticas cada vez mais inovadoras. O delegado Antônio Rondon, titular da Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Cibernéticos (Dercc), destaca que em Manaus, um dos crimes mais prevalentes é a criação de perfis falsos no WhatsApp para aplicação de golpes.
“Um dos com maior incidência é do com perfil fake no WhatsApp, quando o golpista utiliza a foto de uma determinada pessoa, entra em contato com parentes fingindo ser essa pessoa e solicita algum valor mediante pix. O parente que é a vítima acredita que está falando com a pessoa da foto, não chega a checar as informações e acaba fazendo a transferência do valor”
Antônio Rondon, titular da Dercc
Outra estratégia usada pelos golpistas é a falsificação de comprovantes, uma forma que na maioria das vezes tem como alvo comerciantes e empresas. Nesse cenário, a vítima, muitas vezes, só percebe o golpe quando é tarde demais, ao não confirmar o pagamento em sua conta.
Além disso, Antônio Rondon alerta para a variedade de ações criminosas. “Nós temos outros crimes que podem também ocorrer em ambiente cibernético, como ameaças, falsa identidade, extorsão, vazamento de nudes não autorizado pela vítima”, disse Rondon.
Frente a essa crescente ameaça, a adoção de medidas mais rigorosas para evitar cair em golpes e fraudes precisam ser tomadas. Em casos como o citado pelo delegado, a sociedade precisa estar atenta e confirmar informações e desconfiar sempre quando antes de fazer alguma transferência.
Estatísticas
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, em 2023, o estelionato surgiu como o crime cibernético mais praticado, totalizando 2.966 casos em Manaus. Os registros alcançaram picos nos meses de outubro, com 344 casos, além de maio e junho, ambos com 340 casos cada.
Logo em seguida, a invasão de dispositivos informáticos também com altos números na região, totalizando 1.400 casos, atingindo seu auge com 206 registros no mês de julho.
Outros crimes cibernéticos incluíram falsa identidade, com 691 casos, ameaças com 688 e difamação com 351. O cenário aponta para uma complexidade crescente nas atividades criminosas online, demandando uma resposta eficaz das autoridades e um aumento da conscientização da população sobre a segurança digital.
Como identificar e prevenir
Em relação a golpes em que criminosos se passam por outra pessoa, Rondon destaca que não se pode confiar unicamente na foto ou imagem de quem entra em contato.
“Há uma diversidade de crimes que acontecem em ambiente cibernético. A principal recomendação é de que você não clique em links que você não sabe quem é o remetente, não clique em imagens que você recebe de pessoas que você não tem nos contatos”
Antônio Rondon, titular Dercc
Para quem utiliza o pix como método para receber pagamentos, deve-se implementar estratégias de verificação, para assim confirmar a veracidade de transações antes de considerá-las efetuadas. E antes de realizar alguma transferência, é fundamental ter certeza de não é outra pessoa solicitando o valor.
“Tenha absoluta certeza com quem você está falando do outro lado da tela. Não confie apenas na foto ou imagem daquele interlocutor. Os golpistas utilizam, principalmente, de falsas identidades, de falsos perfis para ludibriar as vítimas e fazer com que elas cliquem em links com vírus para que eles possam ter acesso e invadir o dispositivo, e assim, conseguir tudo sobre a vítima”, explica o delegado.
Medidas após sofrer golpe
Diante do avanço dos crimes cibernéticos, o delegado Antônio Rondon destaca medidas essenciais para vítimas.
“É importante registrar o boletim de ocorrência, podendo ser feito em qualquer delegacia ou pela delegacia virtual. Além disso, é crucial comunicar imediatamente a instituição financeira para, caso haja transferências fraudulentas, o banco possa estornar o valor e evitar prejuízos.”, alerta o delegado.
Estas ações são fundamentais para iniciar o processo de investigação e minimizar as chances de ter algum prejuízo financeiro.






