Conceição Melquíades – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “Tem um problema climático, realmente não dá para prever. Mas porque diabos a indústria tá lá [Manaus] e o centro consumidor está aqui [em São Paulo]? Porque existe uma aberração chamada Zona Franca de Manaus. A fala de Alexandre Schwartsman durante entrevista com a jornalista Kary Brav da TV Cultura na última segunda-feira 23/10, repercutiu negativamente entre os políticos do Amazonas, que rebateram o economista.
“No Amazonas moram mais de quatro milhões de habitantes que têm direito de ter trabalho, renda, de se alimentar e ter sua cidadania respeitada. O senhor precisa ter uma aula de geografia para conhecer o seu país e uma aula de história para respeitar a Zona Franca de Manaus e o Estado do Amazonas”, disse o deputado federal Saullo Vianna (União-AM), em pronunciamento na Câmara federal.
Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado Sinésio Campos (PT) disse que o economista é “mau-caráter”, uma vez que sua fala destila ódio contra a região amazônica e a população amazonense, em uma fala carregada de preconceito.
“Esse senhor, que não conhece a realidade do nosso povo, se tornou uma persona non grata em nosso Estado. Esse tipo de gente é quem quer arrancar cada moeda, mas quer ter a floresta amazônica preservada, e esquece que aqui existem homens e mulheres que precisam viver com dignidade. É esse tipo de figura que na reforma tributária quer tirar os incentivos da Zona Franca”, destacou o parlamentar.
O deputado estadual Wilker Barreto (Cidadania) caracterizou as declarações como “infelizes” e informou que há uma intenção de encaminhar um requerimento à TV Cultura. “Pessoas sem conhecimento não deveriam ocupar espaços como articulistas em canais abertos e apontou que Alexandre Schwartsman desconhece a importância da Zona Franca”.
Quem também se manifestou contra as falas de Schwartsman foi o vereador Lissandro Breval (Avante), na Câmara Municipal de Manaus (CMM), que conceituou como “falas preconceituosas”. “Respeite o Amazonas, o Polo Industrial que gera milhares de empregos e mantém a floresta em pé”, frisou o vereador, que disse ainda:
“A gente vê tanta desinformação, preconceito, nessa visão medíocre da importância da Zona Franca de Manaus para o Brasil. Modelo que já faturou R$ 90 bilhões só este ano, contribuindo na arrecadação do país. Temos que combater essa desinformação”
Modelo
Durante a entrevista, a jornalista Kary Bravo questionou se a seca estava prejudicando a economia do Brasil devido a um erro de planejamento da economia local para estiagem, ou se seria decorrente de oscilações no mercado. Alexandre Schwartsman respondeu afirmando que a Zona Franca de Manaus era uma “aberração” e que a indústria deveria estar localizada mais próxima ao centro consumidor.
Além disso, Schwartsman criticou a renovação do modelo econômico por mais 50 anos, e disse que certamente após o fim do prazo o modelo seria renovado novamente.
“Tem um problema climático, realmente não dá para prever. Mas porque diabos a indústria tá lá e o centro consumidor está aqui [em São Paulo]? Porque existe uma aberração chamada Zona Franca de Manaus. Então depende de todos os modais, bom se fosse em um lugar que ficasse perto do mercado consumidor a gente não estaria passando por isso, mas agora eles têm mais 50 anos para aquela indústria infante e quando acabar os 50 a gente vai ter mais 120 que é para dar sorte”, disse Schwartsman.






