Kaelyson Moraes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Estudantes de diferentes instituições de ensino realizaram uma manifestação nesta quinta-feira, 5, em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), bairro Parque 10, zona Centro-Sul de Manaus.
O grupo cobra a retomada do Passe Livre Estudantil, suspenso na terça-feira, 3, e reivindica participação nas discussões sobre o futuro do benefício.
A mobilização começou na quarta-feira, 4, quando os estudantes montaram um acampamento em frente à sede do Legislativo estadual. Entre as principais preocupações estão os impactos financeiros da suspensão do transporte gratuito e a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja primeira aplicação será neste domingo, 8.
Os manifestantes afirmam que a falta dos créditos pode dificultar o deslocamento dos candidatos até os locais de prova, especialmente entre estudantes de famílias de baixa renda.
A estudante Vitória Gomes explicou que o movimento também busca garantir que os alunos participem das negociações sobre o transporte coletivo.
“A gente está acampado aqui para garantir que as negociações sejam feitas também pelos estudantes. A gente sabe que fica uma grande briga de narrativa entre o Roberto Cidade, o Sinetram, os outros empresários, e a gente quer que o estudante não pague essa conta. A gente quer que o Passe Livre volte porque o Enem é neste final de semana”, afirmou.
Vitória também destacou que a suspensão do benefício aumenta as dificuldades enfrentadas por famílias que precisam dividir o orçamento entre alimentação, transporte e despesas escolares.
“A gente sabe que hoje em dia a renda da classe trabalhadora está um pouquinho apertada e muitos precisam escolher entre colocar o passe e comer, tirar xerox das atividades escolares. Esse passe livre não é um privilégio, ele é um direito dos estudantes”, completou.
Estudantes cobram participação nas decisões
A presidente da União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), Thaly Duarte, também participou do ato e criticou a interrupção do benefício. Segundo ela, a discussão deveria avançar para a ampliação do transporte gratuito, e não se concentrar na manutenção de um direito já existente.
“A gente devia estar aqui e já discutir o passe livre irrestrito e geral, para estudante do ensino médio, estudante da graduação, da pós-graduação, mas a gente está aqui discutindo o retrocesso que foi a retirada desse passe livre para os estudantes”, declarou.
Thaly também mencionou os prejuízos provocados pela interrupção das aulas em decorrência da fumaça e das condições climáticas registradas na capital amazonense.
“A gente está aqui para cobrar porque a gente sempre fala que não vão falar mais sobre nós sem nós. Os estudantes estão aqui presentes para discutir a sua vida e para falar que a vida dos estudantes está sendo diretamente impactada”, afirmou.

A estudante Elisandra, que cursa o terceiro ano do ensino médio na rede pública, relatou as dificuldades para concluir o ano letivo e se preparar para o Enem. Segundo ela, ficou duas semanas sem aulas, o que comprometeu a preparação para o exame.
“Eu mesma sou estudante de escola pública, fiquei duas semanas sem aula, me prejudicou bastante. Final de semana tem Enem, e sem a preparação para o Enem é muito complicado. A gente teve que estudar em casa, teve que fazer a revisão em casa, e ainda sem o passe livre para a gente conseguir ir para a escola, estudar, terminar esse ano”, relatou.
Para Elisandra, a manifestação é uma forma de dar visibilidade às dificuldades enfrentadas pelos alunos e cobrar atenção das autoridades.
“A gente veio aqui realmente para que a gente consiga ver se a mudança vem, se olhem para a gente, estudante que está aqui, que está desde ontem, possa pelo menos receber uma visibilidade e que os estudantes venham a ser mais valorizados”, acrescentou.
Justiça determina retomada do Passe Livre
Na quarta-feira, a Justiça do Amazonas determinou que o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) restabelecesse o Passe Livre Estudantil no prazo de 24 horas, a partir da intimação.
A decisão foi proferida pelo juiz Ronnie Frank Torres Stone, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Manaus, e prevê multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 1 milhão.
A determinação atende a uma ação da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), que busca garantir a continuidade do benefício.
Mesmo após a decisão judicial, os estudantes mantiveram a mobilização nesta quinta-feira, cobrando o restabelecimento efetivo dos créditos e a participação dos representantes estudantis nas negociações sobre o transporte gratuito.






