Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O governo federal anunciou o reforço das operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas, com ampliação do uso de aeronaves, mobilização das Forças Armadas, aumento das equipes do Ibama e instalação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) em Manaus.
As medidas foram divulgadas neste domingo, 18/10, durante coletiva na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), após reuniões entre representantes dos governos estadual e federal.
O anúncio ocorre em meio à persistência da fumaça na capital amazonense. Na manhã desta segunda-feira, 19, 12 das 16 estações analisadas pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registravam qualidade do ar entre as categorias “ruim” e “muito ruim”.
Forças Armadas terão até 16 aeronaves

O número de aeronaves destinadas às operações no Amazonas deve chegar a 16. Os equipamentos incluem aviões de grande porte para lançamento de água sobre áreas atingidas pelo fogo, aeronaves de apoio logístico e helicópteros para transportar militares, brigadistas e materiais.
Segundo o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, uma das aeronaves terá capacidade para lançar 12 mil litros de água por operação. Também está previsto o uso de caixas com capacidade para mil litros, transportadas por aviões e liberadas durante os voos sobre áreas incendiadas.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, destacou a participação das três Forças Armadas nas operações.
“Talvez a mais importante notícia seja a participação efetiva das Forças Armadas. As três forças, Marinha, Exército e Aeronáutica, estarão presentes aqui e participarão com efetivo”, afirmou.
A operação também contará com quatro esquadrões de helicópteros e dois navios. O dimensionamento dos efetivos e dos equipamentos empregados nas ações ainda está em andamento.
Comando conjunto vai coordenar operações
O governo federal anunciou a criação de um Estado-Maior Conjunto em Manaus para coordenar a atuação da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além de facilitar a integração entre os órgãos envolvidos no combate aos incêndios.
A estrutura começou a funcionar no domingo, com a proposta de centralizar o planejamento e agilizar o deslocamento de recursos para as áreas mais afetadas.
“Isso vai facilitar as nossas operações, dando maior dinamismo”, afirmou José Múcio.
Ibama ampliará equipes e PF investiga incêndios
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) prevê ampliar para 450 o número de integrantes mobilizados em ações de combate aos incêndios e fiscalização.
Somados os esforços das diferentes instituições, o governo estima ultrapassar 600 profissionais mobilizados, ante os 190 anunciados no início da operação, em 10 de outubro.
Na área de segurança pública, Wellington César informou que a Polícia Federal mantém três inquéritos para investigar os incêndios. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também auxilia na avaliação das possíveis motivações dos focos de fogo.
Uma campanha de conscientização sobre queimadas também foi anunciada para começar nesta segunda-feira, 19/10, com orientações voltadas à prevenção.
Força Nacional do SUS terá base em Manaus
Além das medidas ambientais e militares, o Ministério da Saúde prepara a instalação de uma base descentralizada da Força Nacional do SUS em Manaus, prevista para terça-feira, 20/10.
Equipes da Força Nacional estão no Amazonas desde 11 de outubro e atuam em conjunto com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) para acompanhar os atendimentos e avaliar a necessidade de reforço nos serviços de saúde.
O trabalho inclui o monitoramento da demanda por assistência e do abastecimento de insumos essenciais, como oxigênio. Segundo o Ministério da Saúde, 12 municípios já haviam sido identificados com necessidade de algum tipo de suporte nos serviços de saúde.
Governo pede colaboração da população
O governador Roberto Cidade afirmou que o estado mantém diálogo com o governo federal e as prefeituras para intensificar o combate às queimadas. Ele também pediu que a população denuncie pessoas suspeitas de provocar incêndios.
“Não adianta todos os dias a gente estar aqui com muitos equipamentos, milhares de homens e mulheres trabalhando, e não conscientizar o nosso povo”, declarou.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, explicou que a fumaça que chega a Manaus é transportada por condições meteorológicas e correntes de vento a partir de incêndios em diferentes regiões. As operações federais também abrangem áreas do sul do Pará.
Manaus segue entre as capitais com pior qualidade do ar
Manaus voltou a registrar níveis elevados de poluição atmosférica. Segundo o ranking do IQAir citado na divulgação, a capital amazonense liderava entre as cidades brasileiras monitoradas, seguida por Porto Velho, em Rondônia.
Dados do Selva, da UEA, também apontavam níveis de poluição entre “ruim” e “muito ruim” em diferentes áreas da capital.
Diante da situação, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a UEA suspenderam atividades presenciais. As redes municipal e estadual de ensino também suspenderam as aulas presenciais nesta segunda-feira.






