Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras nesta sexta-feira, 16/10, após um dia de melhora. A fumaça das queimadas elevou os índices de poluição a níveis insalubres e levou à suspensão das aulas na rede municipal de ensino e na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
De acordo com a plataforma internacional IQAir, a capital amazonense registrou índice de 183 por volta das 7h, classificação considerada insalubre. Na quinta-feira, 15/10, Manaus havia ocupado a segunda posição no ranking nacional.
Os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da UEA, também apontaram piora na qualidade do ar. Em diferentes zonas da cidade, as medições ficaram nas categorias “muito ruim” e “péssimo”.
No bairro Aleixo, na zona Centro-Sul, a concentração de partículas finas chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico. Já no Morro do Tarumã, na zona Oeste, o índice registrado foi de 39, considerado moderado.
Fumaça atinge diferentes zonas de Manaus

O monitoramento do SELVA mostra que a poluição voltou a atingir diferentes áreas da capital. Entre os pontos com registros elevados estão a Vila Buriti, com índice de 153,3, e o Distrito Industrial I, com 126,5, ambos na categoria “péssimo”.
Em bairros como Flores, Aleixo e Coroado, os índices variaram entre 89,3 e 116,6, classificados como “muito ruins”. Aparecida e Petrópolis registraram medições entre 96,4 e 114,8, enquanto São Jorge e Compensa chegaram a 105,7.
Na Cidade Nova e no Puraquequara, os registros ficaram próximos de 92.
A escala utilizada pelo SELVA classifica a qualidade do ar como boa entre zero e 25, moderada acima de 25 até 50, ruim acima de 50 até 75, muito ruim acima de 75 até 125 e péssima acima de 125.omo boa entre zero e 25, moderada acima de 25 até 50, ruim acima de 50 até 75, muito ruim acima de 75 até 125 e péssima acima de 125.
Prefeitura e UEA suspendem aulas
Diante do agravamento da poluição, a Prefeitura de Manaus suspendeu preventivamente as aulas da rede municipal nesta sexta-feira. A medida busca reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também suspendeu as aulas e as demais atividades acadêmicas presenciais em suas unidades da capital e do interior, em todos os turnos. As atividades administrativas foram transferidas para o formato remoto, com exceção da Reitoria.
Amazonas registra aumento de queimadas
A piora na qualidade do ar ocorre em meio ao aumento dos focos de incêndio no estado. Segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o Amazonas registrou cerca de 1,6 mil focos nos primeiros 14 dias de outubro, um aumento superior a 270% em relação ao mesmo período de 2025.
A fumaça que atinge Manaus está associada a queimadas em municípios do interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e o norte de Mato Grosso.
Ibama reforça combate aos incêndios
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou ter notificado previamente 725 propriedades rurais sobre o risco de propagação das chamas. Equipes realizam vistorias para verificar o cumprimento de medidas preventivas, e parte dos responsáveis já foi autuada.
A força-tarefa federal concentra operações em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara.
Até terça-feira, 13/10, o Ibama havia informado a extinção de 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro e mantinha equipes no combate a outros oito focos ativos. Para ampliar as operações, foram mobilizadas 11 aeronaves.
Governo investiga suspeitas de incêndios criminosos
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, anunciou o reforço das investigações sobre possíveis ações coordenadas para provocar incêndios florestais no Amazonas. A apuração também conta com a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
“Há suspeitas de uma ação organizada. Por isso, além dos órgãos que já atuam no caso, a Abin também participa de todas as investigações para verificar se há indícios de que esteja se repetindo o que ocorreu em outro momento no Pará, no chamado ‘Dia do Fogo’, marcado por uma ação combinada”, declarou o ministro.
Segundo Capobianco, ainda não há provas de uma articulação criminosa. Relatos de brigadistas e bombeiros sobre ameaças e possíveis ações deliberadas de atear fogo, no entanto, motivaram a ampliação das investigações.
O presidente do Ibama, Jair Schmitt, também relatou que integrantes de uma equipe aérea teriam avistado pessoas iniciando um foco de incêndio durante uma operação de lançamento de água. O local foi registrado e encaminhado para investigação.
Polícia Civil instaura 120 procedimentos
O secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Anézio Paiva, informou que a Polícia Civil instaurou 120 procedimentos criminais relacionados às queimadas. As operações utilizam drones com câmeras térmicas e aeronaves para identificar possíveis responsáveis.
As equipes atuam principalmente em Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Autazes e Iranduba. A força-tarefa reúne órgãos estaduais e federais, incluindo as polícias Civil e Militar, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Abin e entidades de fiscalização ambiental.
Com a persistência da fumaça, o alerta permanece para os riscos à saúde, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou cardiovasculares.






