Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Crateras, acidentes e dificuldades de locomoção fazem parte da rotina de moradores da rua Tulipa Negra, também conhecida como Floresta Guará (antiga rua Suécia), no bairro Gilberto Mestrinho, zona Leste de Manaus. Segundo os relatos, pelo menos três moradores enfrentam problemas nos joelhos após quedas provocadas pelas condições da via.
A auxiliar de serviços gerais Cristiane Correa, de 48 anos, caiu na rua há quase quatro anos e, desde então, convive com as consequências do acidente. Às vésperas de passar por uma cirurgia, ela teme as dificuldades que enfrentará para se deslocar durante a recuperação.

“O dia que eu peguei essa queda, a ambulância não pôde descer. Foram vizinhos que me levaram numa cadeira, para eu chegar até a ambulância. Em algumas semanas, vai acontecer a minha cirurgia e já estou com medo. Estou pensando como vou fazer para subir e descer nesta rua quando for para fazer as consultas pós-operatórias. Eu moro aqui há 26 anos”, relatou Cristiane.
A diarista Raimunda Araújo, de 62 anos, também reclama das condições da via e afirma que as quedas são frequentes entre os moradores.
“Todo mundo nesta rua já caiu, inclusive eu, porque aqui é cheio de buracos e está sem condições. Eu estou com problemas no meu joelho, deu até uma calcificação, porque aqui está precário”, Raimunda.

A aposentada Marcilene Moraes, de 50 anos, também enfrenta dificuldades para circular pela rua. Após passar por três cirurgias e sofrer três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), ela depende da ajuda de outras pessoas para se locomover e só sai de casa quando é necessário.
“Para subir aqui, tem que subir com a cadeira de balanço, quatro pessoas para levar e para descer. O Samu não chega até aqui, nem o Uber. Então, para nós aqui, está sendo difícil a nossa situação. Quando chove, eu não posso sair daqui, porque eu ainda estou recém-operada”, explicou Marcilene.
Cobrança política e falta de infraestrutura
Para o pintor Jean Ribeiro, de 50 anos, o abandono da rua se mantém apesar das cobranças feitas pela comunidade. Ele critica a falta de atenção do poder público e afirma que a presença de políticos aumenta durante os períodos eleitorais.
“Aqui nem governo, nem a prefeitura vêm aqui olhar para a comunidade. A situação lá na minha rua, a Flórida, ninguém vem e olha para nós. Chegou a política, aí eles aparecem, mas, quando não tem política, ninguém aparece”, declarou.

Cristiane também critica a falta de melhorias e afirma que os problemas persistem independentemente das mudanças no comando do Executivo municipal e estadual.
“Entra prefeito, sai governador, é a mesma coisa. Não fazem nada por nós. Tem lixeira viciada. Tem dia que a gente não suporta de tanto fedor, mas o IPTU chega todos os anos”, disse.
Falta de iluminação e dificuldades de acesso
Além dos buracos, a falta de iluminação e as condições de circulação preocupam os moradores, principalmente durante a noite. Marcilene afirma que a situação aumenta os riscos para quem precisa passar pela rua, inclusive crianças e idosos.

“De noite, a gente não consegue andar aqui, nem as crianças conseguem andar, ninguém consegue andar. O senhor dali de baixo já quebrou a perna, já caiu, quebrou a perna. A minha vizinha aqui também, a outra daqui também. Vários acidentes”, relatou.
As condições da via também afetam a prestação de serviços e a entrega de encomendas. Segundo os moradores, motoristas e entregadores evitam entrar na rua devido às dificuldades de acesso.
“Não querem descer para entregar nada aqui para nós, devido à situação”, afirmou uma das moradoras.
Preocupação com o período chuvoso
A situação pode se agravar durante o período chuvoso. No fim da rua sem saída, há um igarapé, e os moradores temem os impactos das chuvas sobre as famílias que vivem nas proximidades, incluindo crianças e idosos.
Jean Ribeiro alerta para as dificuldades enfrentadas pela comunidade e demonstra preocupação com a chegada das chuvas.

“Tem gente que mora ali embaixo, tem criança, tem idosos, tudo ali embaixo. Quando não é a fumaça, agora vem o período da chuva, e esse povo vai sofrer quando começar a chuva”, afirmou.
Os moradores cobram providências do poder público para melhorar as condições de infraestrutura, garantir a circulação de veículos e pedestres e reduzir os riscos enfrentados diariamente pela comunidade.
Resposta
O Portal Rios de Notícias entrou em contato com a Prefeitura de Manaus, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), a Águas de Manaus e a Âmbar Energia para obter esclarecimentos sobre os problemas enfrentados pelos moradores.
Em nota, a Âmbar informou que a iluminação pública é de responsabilidade da Prefeitura de Manaus, por meio da Seminf, com execução da empresa Manaus Luz.
“A iluminação pública, incluindo troca de lâmpadas, acionamento de pontos de luz em vias públicas e conexões elétricas dos pontos de iluminação, é de responsabilidade da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), com execução pela empresa Manaus Luz”, disse.
A concessionária orientou que solicitações e ocorrências relacionadas ao serviço sejam registradas pelo telefone 0800 201 0001. O espaço segue aberto para manifestações dos demais órgãos.
Já a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), informa que a equipe do Distrito de Obras realizou vistoria técnica na rua Tulipa Negra no bairro Gilberto Mestrinho, e a área consta na programação para execução dos serviços de infraestrutura. A Seminf informa, ainda, que atua por todas as zonas de forma simultânea, executando os serviços de acordo com a necessidade de cada bairro, com o cronograma das solicitações e áreas mapeadas.
A Águas de Manaus informa que o abastecimento nas ruas citadas, no bairro Gilberto Mestrinho, foi afetado por três manutenções emergenciais realizadas nesta semana: duas elétricas e uma para reparo de vazamento na rede. Os serviços já foram concluídos, e o fornecimento de água está em processo de retomada, com previsão de normalização até o fim da noite desta quinta-feira (15).






