Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas está entre os três estados com menor desempenho na oferta de serviços públicos digitais do país, segundo o Índice ABEP-TIC de Oferta de Serviços Públicos Digitais 2026.
O estado recebeu 31,81 pontos na avaliação, ficando à frente apenas de Pará e Roraima entre as 26 unidades da Federação participantes.
A média nacional foi de 69,32 pontos. Com o resultado, o Amazonas também não alcançou a pontuação mínima para receber o selo de maturidade digital.
O índice não avalia apenas a quantidade de sites, aplicativos ou serviços disponíveis ao cidadão. A metodologia considera aspectos como integração entre sistemas, governança de dados, segurança cibernética, acessibilidade, inclusão, oferta efetiva de serviços e capacidade de inovação.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a advogada Eliza Portela, especialista em Direito Digital, afirmou que o resultado mostra que ainda existem desafios na forma como os serviços públicos digitais são estruturados e oferecidos à população.
“O Amazonas ainda possui um espaço relevante para melhorar a forma como os serviços públicos digitais são oferecidos à população. Mas a tecnologia deve facilitar o acesso do cidadão ao Estado, e não criar uma nova camada de dificuldade”, afirmou.
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Burocracia e dificuldade de acesso
Segundo a especialista, a baixa maturidade digital pode afetar diretamente pessoas que dependem dos serviços públicos. Quando plataformas não estão adequadamente integradas ou determinado serviço não é completamente digitalizado, o cidadão pode continuar enfrentando burocracia, deslocamentos e demora no atendimento.
“Do ponto de vista do Direito Digital, uma baixa maturidade na oferta de serviços públicos digitais não representa apenas um problema tecnológico. Ela pode se transformar em uma barreira para o exercício de direitos do cidadão”
Eliza Portela, advogada
Na prática, explica a especialista, quando um serviço não é digitalizado de forma adequada ou não conversa com outros sistemas, o cidadão pode continuar obrigado a enfrentar burocracia, fazer deslocamentos e esperar mais tempo.
A tecnologia, que deveria diminuir etapas e facilitar o acesso, pode acabar criando mais uma dificuldade para quem precisa emitir documentos, buscar atendimento ou acompanhar pedidos feitos ao Estado.
“Não basta o Estado ter um aplicativo ou um portal. A transformação digital precisa envolver segurança, acessibilidade, transparência e responsabilidade no tratamento dos dados”, destaca Eliza.
Proteção de dados
Outro ponto destacado é a segurança das informações pessoais. Com a ampliação dos serviços digitais, cresce também o volume de dados dos cidadãos compartilhados entre diferentes sistemas e órgãos públicos.
Sem governança de dados, controles de acesso, sistemas integrados de forma segura e mecanismos de proteção, aumenta a exposição a vazamentos, acessos indevidos e uso inadequado dessas informações, segundo a especialista.
O próprio índice considera aspectos ligados a governança de dados, interoperabilidade, segurança cibernética e resposta a incidentes.
Confira estudo:
Para a especialista, o resultado não deve ser interpretado como ausência de iniciativas digitais no Amazonas, mas como um sinal de que ainda existem lacunas importantes na forma como esses serviços são estruturados e entregues à população.
“O principal risco é criarmos uma administração aparentemente digital, mas que continue burocrática, excludente ou insegura para os moradores do Estado”, explicou.
O estudo também considera que a simples existência de uma ferramenta digital não é suficiente para medir os resultados da transformação. A experiência do usuário, a efetividade dos serviços e os impactos produzidos para a sociedade são apontados como aspectos que podem ser considerados em futuras avaliações.






