Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quinta-feira, 10/9, em Manaus, que o Ministério da Saúde realiza estudos para definir quais grupos de pacientes poderão utilizar medicamentos à base de semaglutida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, as chamadas canetas emagrecedoras estão disponíveis no mercado privado, mas ainda não são oferecidas de forma geral pela rede pública.
A declaração foi dada ao Portal Rios de Notícias durante a passagem do ministro pela capital amazonense. Padilha cumpriu uma série de agendas na cidade, entre elas uma visita à fábrica da Novamed, do Grupo EMS, que inaugurou uma área de ampliação da planta e um novo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).
Questionado pelo Rios sobre o acesso às canetas, o ministro destacou o avanço da produção nacional e a redução dos preços dos medicamentos.
“Existe aqui 100% brasileira, e já a um preço três vezes menor do que era o preço da medicação de referência. As pessoas podem procurar pela semaglutida, produzida no Brasil”, afirmou.
A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos que fazem parte da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Esses medicamentos possuem indicações específicas, como diabetes tipo 2 e, a depender do produto registrado, controle de peso. O uso depende de prescrição e acompanhamento médico.
Dados divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde apontam que o mercado brasileiro já conta com 14 canetas registradas. O Grupo EMS possui nove registros na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de medicamentos análogos ao GLP-1, incluindo produtos com os princípios ativos semaglutida e liraglutida. Segundo o Ministério, a entrada de novos produtos no mercado já resultou em preços até 70% menores.
Estudos para uso no SUS
Padilha explicou ao Rios que o Ministério da Saúde avalia o uso desse tipo de medicamento em grupos específicos antes de uma eventual incorporação mais ampla à rede pública.
“Nós estamos no SUS fazendo um protocolo de uso dessa medicação, primeiro em grupos, que são grupos que têm obesidade e problema cardíaco, grupos de pessoas que estão esperando a fila bariátrica, cirurgia bariátrica, para ver se, utilizando a medicação, elas conseguem fazer a cirurgia”, disse.
Um dos estudos confirmados pelo Ministério começou em junho deste ano no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. Cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças e com indicação para cirurgia bariátrica serão acompanhadas. A pesquisa vai analisar aspectos clínicos, operacionais e econômicos do tratamento e sua possível aplicação no SUS.
Padilha também afirmou que o Ministério pretende avaliar o uso da medicação em mulheres que já tiveram câncer de mama.
“Também devemos começar um grupo sobre mulheres que tiveram câncer de mama, se ao utilizarem essa medicação reduz a recidiva (reaparecimento) do câncer de mama”, declarou.
Segundo o ministro, os resultados dos estudos deverão ajudar na elaboração dos protocolos e na definição dos grupos que poderiam ser beneficiados.
“A gente vai poder definir quais grupos podem ser utilizados no SUS. Aí, quando definir, a gente manda para a Comissão Nacional de Incorporação, que é quem aceita ou não a incorporação definitiva no Sistema Único de Saúde”, explicou.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) é responsável por avaliar evidências científicas, benefícios, riscos e impactos econômicos de medicamentos e outras tecnologias antes de uma eventual incorporação ao SUS.






