Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Amazonas completa 176 anos de elevação à categoria de Província neste sábado, 5/9. Em um ano marcado pela eleição para o Governo do Estado, o Portal RIOS DE NOTÍCIAS foi às ruas do Centro de Manaus para ouvir os amazonenses sobre o que esperam da próxima gestão estadual e quais áreas precisam de mais atenção nos próximos quatro anos.
Entre as respostas, aparecem cobranças por melhorias na saúde, segurança pública, educação, infraestrutura e transporte, além de um recado direto aos candidatos: “menos promessas e mais ações”.
Para Guilherme Matos, atendente de 29 anos, segurança pública e educação devem estar entre as prioridades do próximo gestor. Ele também defende investimentos na estrutura das escolas para ampliar as oportunidades.
“Primeiramente é segurança pública, pra gente ter mais segurança nas ruas, como ele pode fazer isso? Ele pode implantar um sistema de máximo policiamento na rua, onde o cidadão se sinta bem, se sinta à vontade, onde possa andar em qualquer lugar, em qualquer canto, usar seu aparelho e ficar tranquilo, entendeu? E a educação, ele pode fazer uma infraestrutura melhor e desenvolver mais projetos para que possa haver mais escola, onde muitas pessoas tenham a oportunidade”, afirmou.

Saúde
Na saúde, a principal preocupação apontada pelos entrevistados é o acesso da população de baixa renda a consultas, exames e medicamentos.
Ioneide da Silva, costureira de 50 anos, pediu atenção especial a quem não tem condições de arcar com os custos do atendimento particular. “Olhem para esse lado da saúde da população carente, né, porque não tem condição de pagar um exame de 500 reais, um exame de 600 reais, e hoje é uma fila enorme para conseguir uma simples consulta”.

Lindeusa Oliveira, assessorista, também relatou dificuldades no acesso a medicamentos básicos nas unidades de saúde. “Você vai em qualquer posto da cidade e não tem nem remédio para nada, nem dipirona para dor de cabeça, nada”.

Para o advogado Lucas Brito, de 30 anos, os problemas passam também pela estrutura e pela valorização dos profissionais.
“A gente pode ver que falta profissionais adequados na segurança do Estado e a área da saúde é essa precariedade que a gente vive e observa, com médicos que não a recebem, enfermeiros que não recebem e trabalham em escalas absurdas.”

Transporte
O motorista Olinto Miranda, de 62 anos, colocou o transporte coletivo entre as prioridades. Segundo ele, a demora dos ônibus afeta diretamente quem depende do serviço para trabalhar todos os dias.
“A gente tem que melhorar o transporte coletivo, que hoje é uma eminência de trabalho. Trabalhador que ainda contém trabalho, já não consegue depender só dos ônibus, porque há muita demora”.

Infraestrutura
Já a infraestrutura foi apontada por Tiago Carneiro, vendedor de 26 anos, como um dos principais investimentos a serem executados pelo próximo governador.
“Acho que está na hora de começarem a trabalhar e prometer menos, né, porque é muito fácil prometer na hora que é eleito e não fazer nada depois”, disse.

Segundo ele, “a infraestrutura é o ponto principal pra todo mundo que quer ser eleito” e completou: “A infraestrutura no nosso estado está péssimo”.
As reclamações ouvidas nas ruas parecem mudar apenas de rosto e personagem, mas os problemas continuam sendo os mesmos para cada amazonense.
O que o eleitor deve observar?
Segundo o cientista político e mestre em Direito Helso Ribeiro, as crises no estado precisam ser enfrentadas a partir de prioridades claras e planejamento.
Ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, ele explica que apesar da força de arrecadação do Amazonas, ainda existem regiões com baixos índices de desenvolvimento humano que deveriam receber mais atenção do poder público.
“O Amazonas é um estado rico do ponto de vista de arrecadação e é um estado paupérrimo, um estado com regiões paupérrimas, principalmente, quando se trata de IDH né. Índice de desenvolvimento humano, então a boa equação, seria onde está mais carente, concentrar mais esforços”.

Helso também chama atenção para a concentração de investimentos na capital e para a dificuldade de levar serviços públicos a um Estado de dimensões continentais. “Ainda mais quando muitos governantes acabam concentrando esforço onde tem voto. Isso é preocupante”.
Segundo o especialista, a pandemia revelou de forma ainda mais evidente as desigualdades na oferta de serviços públicos no interior do Amazonas.
“A pandemia desnudou uma realidade muito cruel. Não tinha um hospital com UTI no interior da Amazônia, então você vê com os próprios olhos a realidade deixada pela gestão do Estado nos últimos anos.”
Além das distâncias entre os municípios, Helso destaca que Manaus concentra mais da metade da população amazonense, o que contribui para uma maior concentração de recursos e atenção pública na capital.
Na avaliação dele, problemas como saneamento, habitação, violência, educação e saúde exigem mais do que medidas pontuais.
“Olha, não precisa nem de estudos pormenorizados, que é sempre bom, né? E aí a gente discute aquela temática, democracia versus tecnocracia. Mas o Amazonas é um dos estados com menor nível de saneamento. Isso implica lá na frente condições de saúde, onde tem muito esgoto, céu aberto, vai ter problemas de saúde”.
Planejamento
Para o cientista político, a solução também passa por planejamento de médio e longo prazo, que ultrapasse os ciclos eleitorais.
“Enquanto não houver escolas de tempo integral, a gente vai tratar a educação como arremedo. Aquele concertinho, da um jeitinho aí e pronto. Então eu penso que tem que ter um planejamento a médio-longo prazo e médio-longo prazo eu coloco 30 anos para tentar dar passos visando esse planejamento”destacou o especialista.
Helso avalia ainda que cabe ao eleitor observar não apenas o que os candidatos prometem, mas se as propostas apresentadas podem, de fato, ser executadas dentro da realidade financeira e administrativa do Estado.
“É muito difícil, porque existem propostas milaborantes e sedutoras. E aí é difícil o eleitor aferir se o que o Estado arrecada é suficiente para essa proposta.”
O especialista orienta estudar as propostas de cada candidato. “É necessário verificar até que ponto propostas são execuíveis. Possíveis de serem implementadas. Isso daí requer, às vezes, um conhecimento mais aprofundado para o eleitor”, conclui.






