Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No Dia da Amazônia, celebrado neste sábado, 5/9, o Amazonas aparece na 4ª posição entre os nove estados da Amazônia Legal no indicador de proteção a defensores ambientais. O estado registrou 14,8 pontos e recebeu a classificação “péssimo”, segundo dados do Índice de Democracia Ambiental (IDA).
O levantamento aponta fragilidades na estrutura institucional destinada à proteção de pessoas que atuam na defesa do meio ambiente e dos territórios.

Entre os critérios avaliados estão a existência de programas de proteção, recursos orçamentários, canais de denúncia, integração entre órgãos públicos, protocolos de atuação e capacitação de agentes de segurança.
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Falhas na proteção
No Amazonas, o estudo identificou problemas como a ausência de mecanismos específicos de proteção, a falta de protocolos para orientar a atuação policial em ocorrências envolvendo defensores ambientais e a inexistência de capacitação de agentes das forças de segurança sobre o tema.
A pesquisa aponta ainda que a proteção de defensores ambientais permanece limitada em grande parte dos estados da Amazônia Legal. A maioria não possui programas próprios ou normas específicas voltadas à segurança dessas pessoas.

O cenário no Amazonas reforça a necessidade de mecanismos institucionais capazes de prevenir ameaças e garantir maior segurança a quem atua na defesa do meio ambiente e dos territórios.
Bruno e Dom
Um dos casos de maior repercussão no Amazonas que evidencia os riscos enfrentados por pessoas que atuam na defesa do meio ambiente e dos territórios é o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorrido em junho de 2022, no Vale do Javari, no extremo Oeste do estado.

Bruno Pereira atuava na defesa do território e dos povos indígenas, enquanto Dom Phillips desenvolvia trabalhos jornalísticos relacionados à preservação da Amazônia. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os dois foram vítimas de uma emboscada enquanto navegavam pelo rio Itaquaí, em uma região marcada por conflitos relacionados à exploração ilegal de recursos naturais.
O caso se tornou um dos principais símbolos da violência enfrentada por defensores ambientais, indígenas e comunicadores na Amazônia.
Em junho de 2026, a Justiça Federal em Tabatinga pronunciou Ruben Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”, para julgamento pelo Tribunal do Júri Federal. Ele é acusado de participação como mandante ou integrante da organização responsável pelos homicídios. A decisão considerou haver prova da materialidade dos crimes e indícios suficientes de autoria, mas a definição sobre a culpa cabe ao Tribunal do Júri.
Segundo o MPF, Villar é apontado como líder de uma organização criminosa ligada à pesca e à caça ilegais no Vale do Javari. O órgão afirma que Bruno foi morto em razão de sua atuação na defesa do território e que Dom foi assassinado para impedir a documentação das atividades ilegais.
Ranking
Apesar de ocupar a quarta posição, o Amazonas ficou distante dos estados com as maiores pontuações no indicador. Mato Grosso lidera a avaliação, com 36,4 pontos, seguido pelo Maranhão, com 32,3, e pelo Pará, com 27,7. Os três estados receberam a classificação “ruim”.

Na outra ponta, o Amapá registrou 10,4 pontos; Tocantins, 5,7; Rondônia, 5,4; Acre, 2,9; e Roraima, apenas 0,8 ponto.
A média dos nove estados da Amazônia Legal foi de 15,1 pontos, resultado também classificado como “péssimo”.
Os dados evidenciam os desafios da região para garantir mecanismos de proteção a pessoas que atuam na defesa ambiental, especialmente em áreas marcadas por conflitos territoriais e pressão sobre os recursos naturais.






